segunda-feira, 9 de junho de 2008

DEFINIÇÃO DE DESOBEDIÊCIA CIVIL

GRAVITAÇÃO_M.C. ESCHER
"Começarei por definir a desobediência civil como um acto público, não violento, decidido em consciência mas de natureza política, contrário à lei e usualmente praticado com o objectivo de provocar uma mudança nas leis ou na política seguida pelo governo . Ao agir desta forma apelamos ao sentido de justiça da maioria da comunidade e declaramos que, na nossa opinião moderada e ponderada, os princípios da cooperação social entre homens livres e iguais não estão a ser repeitados...

A desobediência civil -para além de ser um acto político- é também um acto público. Não só apela a princípios públicos como é praticado publicamente.Participa-se nela abertamente, fazendo-a anteceder de um razoável aviso prévio: não é uma acção secreta ou camuflada. Podemos compará-la a um discurso público, e tratando-se de uma forma de apelo público, da afirmação de uma profunda e consciente convicção política, ela tem lugar no forum público. Por esta razão, entre outras, a desobediência civil não é violenta. Tenta evitar o uso da violência, em especial contra as pessoas, não pela recusa de princípio em recorrer à força, mas porque esta constitui a expressão final da sua reinvindicação. Efectuar actos de violência susceptíveis de ferir e de causar mal é incompatível com a desobediência civil enquanto forma de apelo. Na verdade qualquer interferência com as liberdades de outrem tende a esconder a natureza de desobediência civil da acção em causa. Pode acontecer que, se este apelo não for bem sucedido, se recorra posteriormente à resistência pela força. No entanto, a desobediência civil dá voz a convicções de consciência profundamente sentidas: embora possa constituir um aviso e uma admoestação não é em si mesma uma ameaça..." JOHN RAWLS, UMA TEORIA DA JUSTIÇA.

7 comentários:

sinhã, a. disse...

Vs acracia popular. :-)

VEU DE MAYA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
VEU DE MAYA disse...

Vale a pena meditar sobre o sentido do texto já que na semana passada ocorreu uma Cimeira Mundial para discussão do problem da fome-associado como está ao problema da pobreza e da necessidade de políticas adequadas.

beijinho

mdsol disse...

:)
Vou lendo e reflectindo... Tenho algumas duvidas relativamente a algumas premissas, mas... não domino o assunto.
:))

JPD disse...

Os pressupostos estão correctos para regimes democráticos.

A democracia, dando relevo á representatividade, procura na herança do Contrato Social, responder ás ansiedades da poulação representada.

Para isso, elege Órgãos de Soberania onde essa representatividade estaria salvaguardada e a paridade alcançada seria de ordem sociológica.

Acontece que tanto os políticos como os partidos e os eleitores por razões subejamente conhecidas deixaram criar um fosso entre si que não cessa de inquinar o relacionametos políticos.

Como o Estado está a recuar nas suas funções básicas e, de tão assustado ou impotente, se calhar até exaurido, não manifesta intenção e coragem para rever e anunciar as novas funções que se disporá a garantir, escamoteia o labirinto em que se encontra, endurecendo posições tanto nos Órgãos de Soberania, como nas reuniões de Concertação Social como até nas intervenções policiais para que haja retorno a uma certa ordem.

Por essa via há a ultrapassagem de um certo limite de intolerância que não devia ocorrer.

Então a pergunta é:

«De que serve a lei se ela não deixa que me façam justiça?»

Contraponto:

«...sem Lei tudo são trevas.»

Mariz disse...

Salvé Luis!

O meu comentário a este seu post é tão só o seguinte e mais não digo:
"Primeiro riem-se de ti; depois ignoram-te; a seguir combatem-te - é então aí que os vences"!
Mahatma Ghandy

Gostei da imagem...coloque aqui, aqueli que escreve...a menos que este blog se destine a estudantes e por isso sejam "lições" a aprender por parte de quem você escolhe a fim de não se compromoter... - o que eu não acredito...
Porque razão não se discutirá como avançar para a paz a começar por cada um? o probelma da fome nao se faz com vãos recursos...mas sim numa distribuição equitativa de receitas...( a começar pelas dos illuminati - por exemplo!)
Beijo
Mariz
ESPAVO!

Mariz disse...

Errata:

....AQUILO - e não "aqueli" - a seguir á frase de Ghandy.
Depois...
...COMPROMETER - e não "compromoter"

(esta correria no teclado, mancha a minha reputação ahahahah.)

Mariz