*
Escuto, mas será que oiço
pomares férteis do silêncio
ou gritos de vida imensos?
*
Sonho, mas será que alcanço
estrelas puras da liberdade
ou ilusões frementes do efémero
nos simples risos da eternidade?
*
Existo, mas será que sei,
nesta passagem breve e arriscada,
discernir o que é voracidade constante
do que é plenitude puramente afirmada?
*
Mas tudo o que sei-que é o que agora sinto-
desta pergunta retórica mas profunda,
desta pergunta retórica mas profunda,
É que contra o deserto no Mundo,
Bendigo os pomares do silêncio...
E contra as torturas na vida
O grito imenso...
Até que esta utopia na roda do Mundo
cresça como um jardim imenso!...
Véu de Maya
