segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Afrodite


*****
Se sentes o meu silêncio
Não o feches na tua emoção
Deixa-o estrelar, ardente, dentro de mim.
*
Se escutas o meu silêncio
Não o gastes na tua dúvida
Deixa-o germinar, leve, dentro de ti.

Se ecoas o meu silêncio
Não o esgotes na tua canção
Deixa-o dançar, profundo, dentro de mim.
*
Mas se amas o meu silêncio
E o trazes no fundo de ti.
*
Não o deixes ficar só em mim
Nem o percas na obscuridade,
Porque é para ti que ele sorri!...

Véu de Maya


Tenho feito pouquíssimas visitas aos blogues amigos... Não me levem a mal...Mas sempre vos deixo o meu abraço, com afecto...Para abrir o vídeo em full screen, terá de passar ao YouTube...Obrigado pelo carinho da presença...E desfrutem bem...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ah, vida peregrina!





*****
Por que me seduzes, ó vida peregrina,
Com véus de feiticeira atrevida?
Se, quando te quero amar de verdade, 
Tu me atiras com volúpias mais de mentira!
*
Mas que retórica tola!-retratas-me tu-
Ao desvelar-me com o teu espanto...
No sorriso encantador de seduzir!
*
Como poderias-tão depressa assim-possuir-me?
Se eu sou a orgia pura no azar de quem arrisca.
*
E ao embalar-te com ilusões de verdade,
Sou a mais bela e arrojada peregrina
Nos lances sedutores da máscara e da mentira.
Ah, vida exuberante!- Aí? despertas-me de mim,
Ao banhar-me no teu caudal esfuseante
E girar pelos teus labirintos de dor e euforia
`*
Até ser em ti-puramente-só laços ardentes do coração,
E tu em mim, ilusões fortes e pomares de flores...
Ó vida pura, ó mais bela impostora, sem pudores,
Como és tão verdadeira, até nas ilusões e nos amores!...

Véu de Maya

Para abrir o vídeo em full screen, queira transitar ao YouTube...Deixo-vos o meu abraço, com afecto.

domingo, 19 de outubro de 2014

Poesia Existencial


***** 
Ai, os véus do destino! 
Não os desvela ninguém
 São Ulisses no seu caminho
 Que são Penélopes também.
 * 
Ondulam incertos na vida 
Como os navios no mar.
 Trinam guitarras a gemer
 E ouvem a musa a cantar! 
Só quem dança no silêncio
 E cheira as ninfas a arfar!
 É que pode cantar nos oásis
 Os tesouros ainda por plantar.


E eu que sou na máscara-o rosto 
E os sentires da humanidade. 
Como poderia caminhar sem véus 
 Nos bosques da claridade!...
 Véu de Maya

Para abrir o vídeo em full screen queira passar ao Youtube...Deixo o meu abraço, com o afecto de sempre.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Poesia de Volúpia


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És sedução na minha errância
E eu atracção na tua quimera.
Tu a minha embriaguez à espera
E eu a tua paixão à distância.
*
És o mar numa onda
E eu o navio por cima.
Tu a beleza da concha
E eu o beijo que te mima.
*
És a gaivota que voa
E eu a irradiação solar.
Tu a alvorada na proa
E eu o barco a navegar
*
És o porto longínquo
E eu o oásis por perto!
Tu o pomar em aberto
E eu a ingenuidade contigo.
*
És sedução na minha errância
E eu atracção na tua quimera!
Tu a minha paixão à espera
E eu o teu amor à distância!...

Véu de Maya

Deixo-vos o meu abraço, com afecto.  Para abrir em full screen, queira passar ao YouTube...

domingo, 12 de outubro de 2014

Dói-me o barulho


*****
Dói-me o barulho
Que se precipita em alarido
Mas nunca é um barco seguro;
*
Dói-me o silêncio
Que se afaga na preguiça
E já não explora a sua força imensa;
*
Dói-me a incerteza 
Que se deita na convicção
E já não arrisca a renovação;
*
Dói-me a certeza
Que se arvora em veracidade
Mas fracassa nas provas da verdade;
*
E dói-me ainda mais a mentira deliberada
Que fecha os olhos à verdade
Como a tirania à liberdade
E a baixeza à dignidade
*
Mas bendigo ao silêncio
Onde ele é fonte de vida pura
E força de corrente imensa
*
E ao amor onde ele é risco imenso
Mas barco de liberdade
*
E ao Mundo até que na sua vida
Triunfe a verdade e se partilhe esta dor
Como na noite o luar!...

Véu de Maya

Deixo-vos o meu abraço de sempre, com afecto. Para abrir o vídeo em full screen e desfrutar da simbiose poesia/música/ pintura...é só clicar e passar ao Youtube.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ah, Vida!-Nos teus véus efémeros




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Ah, Poeta!- Quantos olhares e espelhos avistas tu?
Que nuns, entreabres pomares altivos de colheita plena,
Mas noutros, rasgas desertos sombrios e destilas-me nua,
Como a angústia da insónia que se enrola à noite inteira!
*
Ah Vida! E em que alambiques te poderia decantar?
Se é nos teus eternos opostos que te sinto a florir e murchar,
Por vagas de dor e euforias, sob um mar de alquimias incertas,
Tal como, por entre as estrelas erram constelações secretas!
*
Ah, Poeta!, Mas se sou véus em desafios e sonhos, 
Que é como nos teus versos, inocente, me arriscas!
Por que é que te jogas ainda no desenho dos meus rostos
Sem te cansares de olhar do deserto até aos pomares que avistas?
*
Ah, Vida!, Mas se é nesses contra-partos eternos,
Onde te exploro pura, como silêncio de estrelas em poesia,
Que tu és arco e flecha de cumes e vazios tão secretos!
*
Qual é o poeta que não ousaria acolher-te no teu fogo
Como ao mar alto, os navios, na sua intrepidez vadia!...

Véu de Maya

Deixo-vos o meu abraço, com o afecto de sempre.