sábado, 29 de julho de 2017

Na harpa da vida/Pausa Balnear.


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Ah, poeta! onde achas tu-musa mais pura?
Se até quando erras suspenso pelas estrelas,
Em jogos de inspiração que a brincar te vêm delas
Sou eu a vida-musa, a mais pura ninfa do teu véu.
*
Ah, vida! e porque me seduzes com anéis e feitiços?
Que, noutras ninfas, não são mais do que máscaras e sorrisos...
Mas em ti!-metáforas de fogo-em risos e espelhos
Nas cores dos teus sulcos em violetas e vermelhos.
*
Ah, poeta! e que colhes tu dos meus espelhos?
E desse pomar de cores em roxos e vermelhos
Onde te convido para cumes e fontes virginais,
Quando te olho-como a ninfa mais pura-nos olhos.
*
E dos leques do azar? com riscos sob mantos!
Em que te desafio do alto a rasgos com prantos,
Para lá de todas as ninfas que te enfeitiçam...
Mas tão ingénuas e efémeras nos seus suspiros e encantos.
*
Aí, ó ninfa pura, suspendes-me a respiração!
E entrelaço-me ardente aos anéis do teu coração,
A segredar-te baixinho-neste silêncio estrelar de vozes...
*
Que me jogues outra vez para as estrelas
Com a inspiração de que tu-ó minha ninfa mais pura-
Me tragas outras marés fortes e barcos e vagas!...

Véu de Maya

sábado, 1 de julho de 2017

Nos Rios da Volúpia/ Moonlight Sonata

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  2. Este soneto dedicado ao erotismo puro, mas lírico e sensual no amor/paixão, está escrito dentro do vídeo, numa imagem delicada e expressiva, após a recitação do poeta, floreada com a sonoridade encantadora da Moonlight Sonata de Beethoven e outras réplicas de telas ilustrativas da pintura mundial. Desfrute da simbiose estimulante ente poesia e música e pintura....
  3. .Enjoy this amazing relax. Convém abrir o vídeo em ecrã inteiro-full screen- para a mais cómoda leitura do soneto e a visibilidade das imagens. Obrigado/Grazie/ Merci/Thanks...


  4. Véu de Maya

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Rendas Finas/Moonlight Sonata



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Os afectos são incríveis
E as palavras bosques terríveis!
Mas no voo, quero-os livres.
E a elas, pássaros sublimes,
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Como fontes de águas claras,
No olhar-espelho das águias.
*
Do luar que brilha em teus olhos
Já avisto o teu pomar,
Mas é na embriaguez dos meus sonhos
Que te mimo com espelhos de enfeitiçar.
*
Entre o prazer dos beijos,
Bordados em volúpia de lábios,
E a renda fina dos folhos,
Perdida na ternura dos prados,
`*
Fica a lua-cheia em desejos,
E a felicidade, boémia nos olhos,
Que é como a doçura dos favos.
*
Quando o sonho te cerca
Mas é a saudade que abraza,
Deixo-te o véu que liberta
E tu a mim, volúpia em taça!...


Véu de Maya

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ah, vida!-nos teus véus efémeros/Morricone



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Ah, poeta!-quantos olhares e espelhos avistas tu?
Que nuns, entreabres pomares altivos de colheita plena,
Mas noutros, rasgas desertos sombrios e destilas-me nua,
Como a angústia da insónia que se enrola à noite inteira!
*
Ah vida! E em que alambiques te poderia decantar?
Se é nos teus eternos opostos que te sinto a florir e murchar,
Por vagas de dor e euforias, sob um mar de alquimias incertas,
Tal como, por entre as estrelas, erram constelações secretas!
*
Ah, poeta!, Mas se sou véus, em desafios e sonhos,
Que é como, nos teus versos, inocente, me arriscas!
Por que é que te jogas ainda no desenho dos meus rostos
Sem te cansares de olhar do deserto até aos pomares que avistas?
*
Ah, vida!, Mas se é nesses contra-partos eternos,
Onde te exploro pura, como silêncio de estrelas em poesia,
Que tu és arco e flecha de cumes e vazios tão secretos!
*
Qual é o poeta que não ousaria acolher-te no teu fogo
Como ao mar alto, os navios, na sua intrepidez vadia!...

Véu de Maya

PS-FELIZ PÁSCOA A TODA A GENTE QUE VISITA ESTE BLOGUE, COM PAZ E AMOR E LIBERDADE NO MUNDO.

domingo, 2 de abril de 2017

Nos Rios do Acaso/ Albinoni




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Sou o instante que passa
Como o amor que enlaça
E até o tempo sobre o rio do ser
Que é ainda a névoa que grassa;
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Sou a vida que esvoaça
E até o mar que enfurece
Quando o barco naufraga
E o Mundo endoidece;
*
Sou o pássaro que voa
E a música que toca
Até quando a núvem escurece
E o Sol anoitece;
*
Sou a aventura do ser
E a vertigem do nada...
Toda a errância da vida
Nos véus da ilusão enrolada...
*
E toda a bruma do instante
Na eternidade cifrada...
*
Como o destino do ser?
Que é ser absoluto em tudo
Até nas miragens do nada!...

Véu de Maya


segunda-feira, 6 de março de 2017

Janelas à Noite/Morricone


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O poema está escrito no vídeo, aludindo a telas ilustrativas da pintura mundial, e floreado com a sonoridade sublime de Morricone. Convém abrir o vídeo em full screen, para uma leitura mais confortável do poema e visibilidade das imagens. Em destaque: a sintonia entre as três ates românticas ,por excelência: poesia/música/pintura. Enjoy this poetic and great moment. Obrigado/Thank You.

Véu de Maya

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Floresta Virgem/ Beethoven


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É o fio de luz sobre a névoa
Onde a vida abre clareiras
Até o fogo voltar às lareiras
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É a vida em rodopio trágico
Onde tudo traz a alegria e a dor
Até chegar ao inevitável naufrágio
*
É o mar e a ousadia dos navios
Na aventura de portos e amores
Até sonhar a liberdade em desafios
*
É o destino do Universo
Na senda da força e da leveza
Que aflora em cada verso
*
É a fonte do indizível
Clara mas cifrada nos altares
Dos arautos do intransponível
*
É o voo sobre os cumes
Que paira sobre oblíquos espelhos
Em lances de enigmas vermelhos
*
É a calma sobre os vales
A seguir aos trágicos olhares
Plantada em férteis pomares
*
É arco, flecha e visão,
Instante cruel e aspiração
Fio de luz no punhal da vertigem
*
Olhar que tudo devolve à origem
Lupa que desvenda fendas
E o destino que borda as rendas
*
Até que no caos que tudo enlaça
Se toque à profunda inocência
Na obscuridade do tempo que passa!...
Véu de Maya

domingo, 1 de janeiro de 2017


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Ó vida, divina hera! Quem te desflora?
Sou eu que em ti me deixo passar
Ou é o teu fogo seminal que me devora
No vórtice de uma águia a voar?
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Sei que a voragem da vida
É uma águia no pensamento,
Mas, se não voarmos a tal altitude,
Como evitaremos caír antes do tempo?
*
No deserto que atravessa o Mundo,
Circula ainda o oásis que acalma,
Aquele em que o sonho é profundo
E a vida retorna ao amor que salva.
*
Se a vida fosse paródia
Queria ser o riso dentro dela,
E esvoaçar no seu véu de glória,
Até ser cura para a sua tragédia,
*
Se a voz do tempo-que é sereia morena-
Te soprar que o efémero é máscara e ilusão,
Escuta a sério a sua profundidade serena
E entrega-te à vida, com toda a volúpia e paixão!...

Véu de Maya