quarta-feira, 29 de abril de 2009

O TRABALHO ENRIQUECE O MUNDO

O MILAGRE DAS ONDAS NO DESERTO[Vangelis- Theme of Paradise 1492-barra de vídeo]
*
É o alvo e a flecha radical
onde o princípio é vencer a preguiça
e a arte é destuir a hidra terrível do mal;
*
o preço do trabalho e o poder da produção
onde se molda a selva feroz dentro do homem
e no Mundo os males da escravidão;
*
a criação que traz ao mundo a obra
como a mãe traz à vida a criança
envolta em novelos de esperança;
*
o apreço à liberdade e o amor ao universal
onde a vida particular só é feliz
se não contradiz a libertação geral;
*
o amor e o ser criativo
onde nascer e participar no mundo
não é coisa apenas de contemplativo;
*
a mestria de si e o nobre sacrifício
que arrancam o mundo pela energia da acção
às terríveis correntes da sujeição;
*
É alvo e flecha, vontade e criação,
ambição, sacrifício e humanidade;
Luta contra a selva feroz dentro do homem,
e no mundo exterior a si,
contra a escravidão e a crueldade;
Amor, verdade e ser criativo,
não perdidos no vapor contemplativo,
e o fogo da filosofia ao aquecer o mundo
com obras de fidelidade ao amigo!...



Véu de Maya

sábado, 25 de abril de 2009

O TESOURO DA LIBERDADE



Arranjo de imagem - Heloísa Spitali

[Grândola Vila Morena-Zeca Afonso-Barra de vídeo].
*
É o amor à liberdade e o preço de a conquistar
como os navios que se aventuram
sulcando as ondas do mar;
*
a frescura do novo e os caminhos por andar
como abertura radiosa aos desafios do futuro
e às vozes dos oráculos por desvendar;
*
o viajante e a imensa floresta
felizes nos saltos do percurso onde unidos
se inebriam no transe da viagem e da descoberta;
*
o desejo da partida e a alegria do regressar
como a viagem do navio que se aventura
pelo alto mar até a novos portos chegar;
*
o vento do deserto e o oásis libertador
como o entrelaçar da força entre guerreiros
até selar num abraço a fusão da alegria à dor;
*
a semente fértil e a terra cultivada
como a fusão amorosa entre ambas
até a vida se extasiar plasmada;
*
a actividade e o impulso do renascer
como ascensão no movimento das coisas
ao triunfo do que ainda não é mas pode ser;
*
É sonho e liberdade, cultura e humanidade,
deserto e vento libertador,
semente e terra cultivada;
Viagem e floresta desbravada
porto de partida e de chegada;
E na aventura que é o caminho
o triunfo sobre o não ser ser que é pouco,
mas é mais que nada!...
Véu de Maya

quarta-feira, 22 de abril de 2009

VERTIGEM UNIVERSAL

LAVA DESLIZANDO PARA O MAR [Vangelis-Theme of Paradise-barra de vídeo].
*
É a reflexão e o preço do conhecimento
que quebram na estupidez a ignorância
e a ausência do pensamento;
*
a acção e a luta contra a doença
que as luzes da razão proporcionam à ciência
para elevar a saúde à sua plena existência;
*
a visão sensível e o cósmico radar
que se libertam entre o pensamento e a realidade
até chegar ao cume duma incontornável verdade;
*
o olhar inquieto e o impulso da criação
que imperam como pássaros longínquos
no cume do ser e da veneração;
*
a nobre causa e a terrível missão
que quebram na vontade as máscaras da ilusão
até bater nela ardente e feliz o coração;
*
a chama do fogo e a roda da invenção
que gravam na cultura da memória
os tesouros e os desvarios da civilização;
*
É vida e instinto, celebração e vontade,
poderes telúricos nos cumes da verdade,
e só fantasias dos caprichos da liberdade,
quando às voltas no carrossel da vaidade
e para o Mundo mais dor do que felicidade;
É a pergunta subtil e certeira: ser ou não ser,
e a vertigem do homem face à realidade
que o engloba e interpela
sem jamais poder sair dela!...



Véu de Maya

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O INSTANTE DA VERDADE

NÉVOAS DE LUZ[Maria João Pires-nocturne 1 de Chopin-Barra de vídeo]
*
O instante é a vida na sua fonte primordial
donde irradiam infinitos segredos ainda por desvendar
e a inspiração de outros tantos mundos e futuros por inventar;
*
é o desafio do ininteligível à inteligibilidade
onde jamais a sabedoria se poderia fechar na verdade
pois no caminho há mais obscuridade do que claridade;
*
é o que fica por entender e perguntar
no que o véu da inteligibilidade deixa ver
sem ao fundo da ininteligibilidade deixar chegar;
*
é o voo do espírito ao mundo do ininteligível
que emerge sob o que o véu da inteligibildade deixa ver
mas mora num enigma profundo e irreprimível;
*
é o silêncio perante o que no ininteligível
se tornou depois de iluminado o véu claridade e inteligível
mas tão só um raio de luz projectado na obscuridade;
*
é o desconhecido na fonte por desvendar
onde respira suspensa e trémula a palavra
até o ininteligível em inteligibilidade se tornar;
*
É tudo:vida na sua fonte primordial
donde irradiam infinitos segredos por desvendar
e outros tantos mundos e futuros por inventar;
Desafio do ininteligível à inteligibilidade,
caminho onde erra a obscuridade até ser claridade,
e o espírito até ser vida, criação e liberdade;
Inspiração irreprimível na fonte primordial
onde fica suspensa e trémula a palavra
até a filosofia a tornar inaugural!...




Luís Lourenço, Poética do Instante filosófico

segunda-feira, 13 de abril de 2009

POÉTICA DO SORRISO

EMANAÇÕES DO SORRISO[Laura Pausini-Inolvidable-barra de vídeo]
*
O teu sorriso é uma estrela,
Onde brilha a felicidade,
É como paixão na tela,
Onde se embriaga a liberdade;
*
O teu sorriso é tão bonito,
Que faz os olhos brilhar,
Não sei se é um espelho aflito,
Se é uma borboleta a voar;
*
Teu sorriso é tão estrelar,
Que brota a vida a renascer,
Não sei se é disfarce da lágrima,
Se é uma nascente a correr;
*
Teu sorriso é um véu incerto
Que apetece as pontas levantar,
Não sei se é reflexo aberto,
Se é lua a reflectir no mar;
*
Mas o que sei do teu sorriso,
E não desvendo em seu rival,
É que nele se embriaga um feitiço,
Que é como uma atracção fatal!...



Véu de Maya

quinta-feira, 9 de abril de 2009

VÉUS DO MISTÉRIO

PONTES DO FASCÍNIO[Andrea Bocelli- Con TE Partiro-Barra de vídeo]
*
É a luz na crença e na descrença
onde o divino se joga e irradia no humano
como fonte da reverência ou da irreverência;
*
o espanto perante o desconhecido
onde o homem busca e interpela o divino
até se sentir mais forte e menos desprotegido;
*
a adesão ao mistério e aos dogmas
onde o homem descobre em Deus e no Universo
fantásticos poderes e reconfortantes provas;
*
a abertura crítica e a fantástica lucidez
onde a interrogação sobre a existência de Deus
é também interpelação ao Mundo e à sua malvadez;
*
a vertigem e a aventura do sentido
onde o homem erra na dúvida ou navega na fé
até o divino brilhar num sol mais temperado e colorido;
*
a religião do humano ou do divino
onde o homem adora a Deus ou a ele próprio
para se admirar num espelho ainda desconhecido;
*
É claridade na crença e na descrença,
mistério no divino ou altivez no humano,
como no transe entre o sagrado e o profano;
Elevação mística ou formidável lucidez
onde a interrogação sobre as fortalezas de Deus
é também interpelação ao Mundo e à sua malvadez;
Ritos entre o sagrado e o profano
celebrados a Deus ou à adoração do humano
até este se fortalecer em sobre-humano!...

Véu de Maya.
Páscoa feliz a todos que comentam e visitam meu Blogue.

domingo, 5 de abril de 2009

POÉTICA DOS OLHOS

SOL E GAIVOTA
[Phill Collins-Another Day in the Paradise]
*
Os teus olhos são tão lindos,
Lindos como espelhos de Deus,
Que enquanto forem assim purinhos,
Sonham reflectidos nos meus;
*
Teu olhar é tão brilhante
Que nunca me canso de olhar,
Brilha nele um sonho distante,
Tal como uma pérola no mar;
*
Quando orbitam enevoados,
Teus olhos se eclipsam para dentro,
E é nesse singular momento,
Que o Sol os toca apaixonados;
*
Teu olhar é um riacho da vida
Onde brinca a liberdade,
É como salto de borboleta colorida
Onde se joga a felicidade;
*
Mas o que mais toca no fundo
Não é o brilho do teu olhar,
Mas o teu olhar tão profundo,
Que é como os faróis no mar!...



Véu de Maya

quarta-feira, 1 de abril de 2009

TELESCÓPIO EXISTENCIAL

PARAPENTA EM SUSPENSO[Mariah Carey-against all odds-Barra de vídeo]
*
Quis girar no carrossel do tempo,
Mas eis que a roda se desengatou,
Já que toda a espessura do Mundo,
Em pendente deserto se transformou;
*
Quis deslindar do tempo a eternidade,
Mas dessa névoa logo o Sol me libertou,
Pois nessa pura e eterna ingenuidade
Sofri as ilusões que a felicidade ditou;
*
Agora absorvo o perfume da vida,
Que é da nascente que emana,
E quero ser como a paleta colorida
Onde toda a felicidade se entranha;
*
E já não espero do efémero a eternidade,
Nem dos sonhos da vida a ingenuidade,
Mas, lindamente, do amor a espontaneidade,
E do Mundo, um sim pleno à liberdade!...






Véu de Maya