quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

POÉTICA DA LIBERTAÇÃO

BELEZA POÉTICA DA LIBERDADE
[Laura Pausini-Strani Amori-barra de vídeo]
*
É a dor e a bravura contra a opressão
numa luta comprometida e valiosa
para arrancar o Mundo à escravidão;
*
a alegria e o sabor da libertação
onde tantas formas doentes e sombrias
são arrancadas à sua cruel desagregação;
*
a ligação entre os seres e a rebeldia
onde se compelem a união e a separação
para os obrigar à sua inevitável missão;
*
o conflito e a pobre discórdia
onde se afundam a vida e a cultura
quando os povos perdem o sentido da glória;
*
a lucidez e a nobre resignação
onde o enigmático e poderoso Universo
acolhe o homem nos confins da sua reflexão;
*
a perda do eu e o êxtase deleitável
onde nos véus da visão caiem os detalhes do ver
mas na roda do ser um caos festivo volta a acontecer;
*
a dor do vazio e da escravidão,
indeléveis na ausência de ser e na triste humilhação,
vergonha do homem e a coragem pela libertação;
*
É vazio e dor, bravura e libertação,
pardoxo de sermos rebeldia e união,
lucidez e a nobre resignação;
O Universo como indelével e condição
nas fronteiras da própria reflexão;
Slêncio do eu na totalidade englobante
onde somos apenas um guerreiro vacilante,
e a poesia a refloração permanente
que diz absoluta à vida: estou presente!...



Véu de Maya

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

ERRÂNCIA EXISTENCIAL

ESVOAÇANDO [Celine Dion.I Surrender-Barra de vídeo].
*
É o apelo da vida à cultura
onde o fluxo criador tanto pode murchar
como renascer e brilhar;
*
o fluído e a seiva criadora
onde se celebram no auge
tempos intensos e uma nova aurora;
*
o declínio e a decadência
onde a vida e a cultura
se esgotam numa pobre doença;
*
o grito e o sono da morte
de Deus do homem e da sorte
quando a vida erra sem arte e sem norte;
*
a luta e o vazio no ser
onde a vida tanto se pode perder
como em novas paixões se acender;
*
o fogo e a chama do viver
onde é impossível deixar de ser
e se prefere o nada ao nada querer;
*
o sonho colectivo e a refloração
onde a vida e a cultura se fundem
no triundo de uma nova inspiração;
*
É vida e cultura, impulso e seiva criadora,
saúde e doença, declínio e aurora,
morte de Deus, da sorte, e do eu;
Vitória sobre si e um novo horizonte,
luta e vazio, paixões novas e os riscos
do nada e até de se perder;
Chama colectiva no fogo do viver
união frágil da vida e da sabedoria
na eterna inocência da poesia!...


Véu de Maya

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

INOCÊNCIA ERÓTICA

INOCÊNCIA ERÓTICA[Amália Rodrigues.Nem às paredes confesso.barra de vídeo]
*
Acaricio-te e logo me desfaço,
Porque saboreio no meu pomar
O vício ardente do teu abraço.
*
Desvelo-me e logo te incendeio,
Porque repuxas na orla da sedução
A volúpia erótica do meu desejo.
*
Percorro-te e logo me envolves
Na órbita sensual do teu jardim,
Com a intensidade do perfume
Que deixas a alastrar em mim.
*
Ouso e navego no aquário de ti
Como o sémen que se alastra leve,
E o peixe vadio que voga no rio,
E a natureza onde tudo se atreve.
*
Floresço-te e brindo à volúpia sensual
Com deleites e frutos do teu manjar,
E o prazer de os comer no meu pomar.
*
E assim rodo neste carrossel alegre,
Em fios de espuma que se esvai leve,
Por entre eflúvios de rodopio louco,
E cujo sabor cheira sempre a pouco...

Véu de Maya




sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

O ENCANTO DA RENOVAÇÃO [Freddy Mercury.Living On My Own-barra de vídeo]
*
É a energia e a riqueza da memória
onde despontam das fontes seculares do aqui e agora
as múltiplas construções e descontruções da história;
*
o navio e a força das correntes
que impulsionam os marinheiros no mar
a deslumbrar novas paragens e fantásticos sóis poentes
*
o regresso e o perfume às antigas fontes
onde renascem frescos notáveis da vida humana
para lançar entre o passado e o futuro genuínas pontes;
*
O orgulho do passado e o sopro da imaginação
que sobrevoando nas asas do futuro
trazem ao efémero presente uma inolvidável lição;
*
a necessidade e a contingência
que erram no caos do desconhecido e da ciência
até serem largas visões nos binóculos da consciência;
*
a inquietação e o profundo silêncio
como a ponte entre o ser e o não ser
por onde corre um mistério imenso;
*
o devir múltiplo e os simulacros do ser
na memória do desgaste inexorável do tempo
até os arrancar com violência ao esquecimento;
*
É memória e esquecimento, tempo e mudança,
necessidade e contingência,
perplexidade e mistério,
inquietação e silêncio;
Nós entre o passado e o futuro,
tesouros do ser no âmago do devir;
Espelhos da vida, incerta e raínha,
nas deambulações da poesia tão reais,
como o sopro da sua sabedoria!...

Véu de Maya


sábado, 27 de dezembro de 2008

LUCIDEZ PRIMORDIAL

VIDA E RENOVAÇÃO [escutar- Ave Maria-Schubert-barra de vídeo]
*
É a claridade na construção e na desconstrução
onde a vida salta para as ficções de uma bela ilusão
ou triunfa plural no mar da sua incrível contradição;
*
o véu da construção no jogo da perfeição e estabilidade
onde quebra a incerteza e a errância gravadas ao real
para aí traçar um carossel estrelar para a humanidade;
*
a seiva da desconstrução no regresso ao caos real
onde a vida sai da casca da segurança e estabilidade
e afirma a sua verdade no rio da incerteza e instabilidade;
*
o voo da fragilidade rumo à etérea felicidade
onde a vida não se liberta da miragem e da fraqueza
e até se consola na auréola de ganhar uma nova fortaleza;
*
o voo da descontrução rumo à inevitável verdade
onde a vida regressa à sua fonte primordial
e afirma a sua pluralidade mesmo na incerteza e instabilidade;
*
A viagem de ida e volta
onde sem deixar de girar no mesmo círculo
a vida embarca numa total reviravolta;
*
O jogo das ilusões onde sonhou e rodopiou a verdade
e a desconstrução que arranca a vida à estagnação
e a conduz à claridade duma nova aposta e vitalidade;
*
É claridade na construção e na desconstrução,
ilusão e desilusão no amor à vida e à verdade,
triunfo sobre a fraqueza e uma outra vitalidade;
Viagem de ida e volta num eterno circular
onde a inversão se ilude e volta a desencantar
até numa nova energia se poder reencontrar;
Alfa e omega de uma nova claridade
onde a vida e a liberdade se inebriam
por um inocente amor à verdade!...

Véu de Maya

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

PAUSA DE NATAL..

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

[ Música de Natal-não perca.dogs singing christmas song-barra de vídeo]
*
A todos os que visitam ou deixam comentários no meu blogue o meu sincero agradecimento...Até Breve...BEM HAJAM...
Véu de Maya

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

MIMOS DE APAIXONADOS

TONALIDADES DA PAIXÃO[Ouvir Amália Rodrigues-meu amor, meu amor-barra de vídeo]

*
Sou a paixão nos olhos
E tu as carícias do céu
Tu as pregas nos folhos
E eu as delícias do véu...

*
Sou a ingenuidade sagrada
E tu a leveza que encanta
Tu a flor na madrugada
E eu a saudade que apranta...

*
És a fonte da ternura
E eu o gesto que brilha
Tu o sabor que perdura
Eu eu o prazer que desfila...

*
És a leveza nas mágoas
E eu a núvem que esfuma
Tu o rio nas minhas àguas
E eu a seiva na tua espuma...

*
És farol no mar profundo
E eu paixão na vida adorada
Tu a explosão no meu mundo
E eu a vida no teu desflorada...


Véu de Maya

domingo, 14 de dezembro de 2008

O ELEVADOR DO AMOR

NASCIMENTO DO AMOR_SANDRO BOTTICELLI[Ouvir música de Beethoven- sinfonia nº 7-barra de vídeo]
*
É a arte de persuadir a aldeia global
que os ventos da civilização são o mais nobre antídoto
contra a cegueira da barbárie e a vulgarização do mal;
*
as fontes da felicidade comum
onde os critérios superiores de ética vital
se sobrepõem aos caprichos da felicidade individual;
*
a dor e a tristeza que invadem os povos
quando a sua existência os condena à aflição
de faltar o sentido da vida para os novos;
*
a revolta e a triste indignação
que atravessam os laços da civilização
quando a barbárie triunfa sobre as luzes da razão;
*
a urgência de expandir em todo o cidadão
a cultura da saúde, da liberdade, e da acção
como a melhor fortaleza de todo o estado ou nação;
*
a justiça do direito na raíz dos argumentos
onde se combate o atropelo e a mentira e a falsidade,
e se celebra o amor ao planeta em notáveis monumentos;
*
É a arte de persuadir a aldeia global
que os ventos da civilização são o melhor antídoto
contra a cegueira da barbárie e a estupidez do mal;
Combate do humano sobre a violência,
e os sopros do amor que marcam o Mundo
com a sua errante mas valiosa presença;
Cultura da saúde, da liberdade e da acção,
notáveis guerreiros contra a decadência,
e na civilização, uma eterna emergência!..



Véu de Maya

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

FELIZ ANIVERSÁRIO A 13 DE DEZEMBRO

PARABÉNS A VOCÊ E FELIZ ANIVERSÁRIO.Dedico esta postagem à Helô-eternaapaixonada pela vida
*
Com meu carinho e admiração, compartilho com todos os amigos.
Sintonias do coração http://hsp7.blogspot.com/
*
*
*
Pára roda sagrada nesta celebração pura.
Enche o céu obscuro de estrelas cintilantes
E floresce o dia com Sol e laços de ternura,
Como a eternidade por todos os instantes...
*
Deixa-me ser a panóplia dos desejos
E a madrugada inocente dos risos
E os toques suaves na orla dos desejos,
E os laços da partilha, fortes e sem avisos...
*
Deixa-me ser a luz veloz e os rios da emoção
E os céus da ingenuidade ao vibrar no coração,
E os sopros do carinho nos píncaros da alegria...
*
Pois, hoje, só posso, sentidamente, ser a inocência
De querer ser a luz e a voz e o Sol e a florescência,
E de brindar ao jeito que és com flores de poesia...


Véu de Maya

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

VARIAÇÔES EM RÉ MENOR

IDÍLIO_TAMARA DE LEMPICKA
[ouvir Amália Rodrigues-Que Deus me perdoe- barra de vídeo]

*
És o brilho nos olhos
E eu o véu que desfolha.
Tu és o desejo no corpo
E eu o amor que consola.
*
És a ingenuidade bonita
E eu a leveza da amora.
Tu és o encanto que mima
E eu o prazer que demora.
*
És a boémia do fado
E eu a guitarra que geme.
Tu és um encanto no Mundo
E eu um poço sem fundo.
*
És a rainha dos beijos
E eu o altar dos mimos.
Tu és a musa dos meus versos
E eu a harpa dos teus limbos.
*
És brisa na madrugada
E eu felicidade no Mundo.
Tu o céu numa estrela dourada
E eu o barco num rio profundo.



Véu de Maya

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

GALATEIA DE ESFERAS

GALATEIA DE ESFERAS_SALVADOR DALÍ [Ouvir Vivaldi-le Quattro Stagioni-Primavera, barra de vídeo]

*
É a fidelidade aos jardins da dignidade humana
onde se irrigam os princípios e as práticas consentâneas
e se deitam fora as que são cruéis e cobardes e sacanas;
*
o cultivo da liberdade e da tolerância
onde a vida dura e consiste não por defeito
mas por amor ao diverso e ao brio na discordância;
*
a sinfonia da vida uníssona com a verdade
onde nasce firme e guerreiro o valor da lealdade
para expulsar tudo que seja contrafacção ou falsidade;
*
a solidez no equilíbrio dos instintos
onde o humano disfruta da integralidade
sem abraçar o demónio das práticas da cruedade;
*
a força das raízes e das vozes no sangue e na lei
onde a lealdade à bela dignidade do ser humano
é num só voo, o alto-valor, o reino-solene, e o critério-rei;
*
a imagem da unidade de si no espelho
onde todo o humano poderia reconhecer
que a vida existe mesmo num escaravelho;
*
É a fidelidade aos jardins da dignidade humana,
justiça contra toda a prática cobarde, vil e sacana,
e amor à liberdade que à vida nunca engana;
Plenitude à inocência cósmica do devir
e combate contra a ignóbil maldade
sem nunca abdicar do solo da verdade;
O amor selado à Vida e ao Universo
neste sábio reino de cantar a grande dignidade
como um valor puro e incontroverso!...


Véu de Maya.

domingo, 7 de dezembro de 2008

HOMENAGEM A FLORBELA ESPANCA, EM 8 DE DEZEMBRO.

INTERLÚDIO COM FLORBELA ESPANCA[Ouvir Mariza-Gente da Minha Terra-Barra de vídeo]
*
POETAS
*
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
*
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
*
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
*
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!


Florbela Espanca

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BELO MUNDO

BELO MUNDO_RENÉ MAGRITTE
[Ouvir Mozart sinfonia 40-barra de vídeo]
*
É um navio sobre a vida e no inverso o silêncio
onde o rio solitário se aprofunda e goza imenso
saboreando em cada onda um novo alento e um
frágil recomeço;
*
a fortaleza do amor e da amizade
onde nobres sentimentos tomam conta dos seres
e os ligam entre si livres e felizes de verdade;
*
a libertação do sonho no amor e na criação
onde o jogo sensível é um desejo irreprimível
a irrigar quente o ar e os fluídos do coração;
*
o sacrifício nobre e o preço da felicidade
onde a medida justa do indivíduo
aspira a elevar-se ao valioso critério da humanidade;
*
o projecto e o cuidado com o futuro
onde a realização entre os seres é uma obra plural
impossivel de ser fechada em qualquer prisão ou muro;
*
a alegria do efémero em cada minuto e acto
onde o cultivo da existência é total e concreto
e a felicidade desliza sem parar no hiato;
*
o poder da invenção e do mistério
onde o amor e a presença se escolhem
sem se fechar no casamento ou no adultério;
*
É um navio solitário sobre a vida e no inverso o silêncio
onde o rio solitário se aprofunda e torna imenso
até ser em cada onda novo alento e um frágil recomeço;
Fortaleza do amor e da amizade
na senda da felicidade
que é o sonho da humanidade;
Elevação e cuidado pelo futuro
onde a poesia se inflama pela liberdade
e por derrubar o muro!...

Véu de Maya

domingo, 30 de novembro de 2008

À JANELA

À JANELA_EDVARD MUNCH [Ouvir Mozart- Piano Concerto nº 21-barra de vídeo]
*
Sonho que alcanço toda a poesia do Mundo
Onde se ilumina a embriaguês do mistério,
E que recolho no seu ar o cheiro profundo
Das vidas inundadas pelos risos do efémero...

*
Sonho que viajo em nave espacial a toda a hora
Onde brilha a luz dos astros e as cores da fantasia,
E que tudo sopra veloz na esfera estrelar da poesia
Como o eterno que é dor e alegria sem demora...

*
Sonho que ando no carrossel da felicidade do Mundo,
E que ele é a cada instante a beleza do amor profundo
Como a roda sagrada de todas as encruzilhadas...

*
Mas, ironicamente, quanto mais vou girando,
E nos carrosséis da felicidade vou andando,
Mais vogo, triste, elos vazios de rodas descarriladas...



Véu de Maya

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PRESENTE DE AMIGO EM DIA DE ANIVERSÁRIO

GUARDA-CHUVAS_P. AUGUSTE RENOIR


[ouvir Celine Dion-Think Twice-barra de vídeo]

Obrigado pela lindas imagens que me enviaste, por email...Não tenho à mão imagens tão belas para retribuir...envio-te apenas estas palavras que muitas vezes também são bonitas!
As palavras dizem, contam, descrevem, provam, justificam e explicam. Com palavras podemos fazer muitas coisas às pessoas: prometer, elogiar, bendizer, amaldiçoar, ameaçar e ofender. Com elas acariciamos e exprimimos o nosso amor; com elas fazemos mal e ferimos, projectando o nosso ódio.
Há palavras que abatem, arrasam, aniquilando uma pessoa, mas há também as que nos acalentam, nos pôem em pé, nos sustentam e dão vida.
O que nos dizem pode tornar-nos felizes, ou então, empurrar-nos pela ladeira da desventura e infelicidade. conheçamo-las e estejamos conscientes do seu poder. Respeitemo-las e saibamos usá-las para que se tornem um arma dócil e obediente, fazendo exactamente o que queremos que elas façam, não prejudicando ninguém.
Apreciemo-las no seu poder e contemplemo-las nos matizes com que se apresentam: há palavras de muitas cores e podem ser proferidas em muitos tons, traduzindo a alma de quem as diz.Por isso podem ser perigosas, traidoras, revelando aos outros o que não lhes queremos mostrar!

Eugénio de Andrade diz-nos a seu respeito;

são como um cristal
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio,
Outras,
Orvalho apenas,

Secretas vêm, cheias de memória.
inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem,

Desamparadas, inocentes,
leves.
tecidas são de luz
e são a noite
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Pois é as palavras seduzem-nos:
como o cristal, são duras e, simultaneamente, frágeis e delicadas!
Conseguem camuflar os maiores segredos do mundo!
Atraem-nos pelo brilho e musicalidade; simultaneamente são capazes de nos devorar, precipitando-nos no mais fundo dos abismos.
Elas são, de facto, no dizer de Eugénio, como um cristal. E, com ele, perguntamos também: Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?
Não dês importância a estas reflexões.
Aceita só um abraço.
Miguel Leitão, 25 de Novembro, 2008





quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O ALTO VALOR DA EDUCAÇÃO

O NASCIMENTO DE VÉNUS_SANDRO BOTTICELLI
[ouvir Celine Dion-Power of Love-barra de vídeo]
*
É o alto valor da educação na missão das instituições
onde se levanta o contributo e a riqueza de cada geração
para o futuro de todas as gerações;
*
a renovação da herança e o testemunho
onde cada geração honra o tesouro recebido
para o passar com marca original ao futuro enriquecido;
*
a aflição e o incrível vazio
onde as novas gerações se afundam
quando as anteriores perderam o brio;
*
o amor entre gerações
onde sonham a vida e a felicidade e o futuro
como pilares e orgulho de todas as civilizações;
*
o declínio e o desespero
onde a sociedade e a cultura se desagregam murchas
quando perdem o sal da vida que é o seu melhor tempero;
*
O sopro da liberdade e as colinas da ambição
onde transbordam no cidadão e nas gerações
o amor pelo universal e o triunfo das realizações;
*
a distância e o choque entre as gerações
onde se separam ou guerreiam sem laços nem sorte
quando a felicidade esmorece e a vida naufraga sem norte;
*
É amor e conflito entre gerações,
atraso e progresso nas civilizações,
herança e testemunho
sobre o que é pobre e valioso e profundo;
Declínio e desespero,
quando na vida e na cultura
falta a felicidade e o tempero;
Cuidado e realização
na missão de cada geração,
e a poesia como amor e libertação!...



Véu de Maya

sábado, 22 de novembro de 2008

A RODA TRÁGICA

A GRANDE GUERRA_RENÉ MAGRITTE

[Ouvir Amália Rodrigues-com que voz- barra de vídeo]
*
É a génese dos seres e a roda do acontecer
onde a unidade primordial os condena
à alegria do viver e ao inexorável morrer;
*
o sonho da infância e a verdade da recordação
onde a vida da criança está para o adulto ser
como a luz do Sol está para o amanhecer;
*
o tempo da fadiga e a bela ilusão
onde flutua na expectativa do que irá acontecer
e se rejubila no enigma de cada reaparecer;
*
a ambição festiva e a celebração do viver
onde cai no nó de que só é forte o querer
que fortalece mais a vontade e o poder;
*
a força das coisas e a aventura humana
onde a liberdade erra e sonha mas fica presa
porque a vertigem a faz rodopiar depressa
*
a bela-alma e o estar-desperto no Mundo
onde a fuga ingénua ou a ancoragem segura
são os indeléveis da travessia de fundo;
*
o despertar, a passagem e o morrer
onde todo o ser é transitar, viver e sofrer
na alegria trágica da vida sempre a renascer;
*
É o ser e a roda do acontecer,
o poder do acaso, do jogo, e do caos
onde a vida nasce transita e volta a morrer;
Querer mais para lá do desejo do poder
onde o sofrer não mata o querer
mas só o querer resigna o sofrer;
Trágica alegria da cósmica presença,
na vida humana, rápida e forte,
e na poesia, serena, é a sua sorte!...


Luís Lourenço





quarta-feira, 19 de novembro de 2008

VIDAS SAGRADAS E PAIXÕES ARDENTES

MAGIA NEGRA_ RENÉ MAGRITTE

[ouvir Moonlight Sonata_Beethoven-barra de vídeo lateral]

*
Vidas claras, quentes e sagradas,
Das paixões ardentes na nascente
Como o Sol das praias vadias no poente,
E a embriaguês louca nas madrugadas...

*
Desfolho uma orquídea envergonhada,
Atiro-a pró céu, qual ardente estrelinha,
Partilho com ela à sedução dançarina
E aos risos do prazer, brisa na madrugada...

*
Os jactos de prazer escorrem à flor da pele
Nossos beijos são doces como o mel
Enfeitiçou-nos o doce sabor às amoras...

*
Somos a vida e o navio, e a ilha voluptuosa,
E, ingenuamente, na madrugada silenciosa
Qual paixão? o encanto das nossas horas!...

véu de Maya


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

HORAS RUBRAS

O SEDUTOR_RENÉ MAGRITTE[ouvir Beethoven-Fur Elise- barra de vídeo lateral]
*
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
onde há risos de virgens desmaiadas...

*
Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas...

*
Os meus lábios são brancos como lagos,
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
*
Sou chama e neve e branca e misteriosa..
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!


Florbela Espanca

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A VOZ DOS VENTOS

A VOZ DOS VENTOS_RENÉ MAGRITTE[ouvir-Cavaleiro Monge-Mariza-barra de vídeo, a partir do replay]
*
É o sonho da vida no voo da verdade
onde a verdade não levanta voo da vida
mas voa sobre a vida na sua própria pluralidade;
*
o projecto da vida no sonho da liberdade
onde o projecto não é a verdade ser senhora da vida
mas a vida ser senhora do projecto e da verdade;
*
o percurso e a pluralidade dos caminhos
onde a verdade sobre a vida é por ela deambular
e dela exalar o cheiro de seus perfumados cadinhos;
*
a roda da afirmação e a jubilosa alegria
com que a frágil verdade e a preciosa vida
chegam a entrelaçar-se numa pujante harmonia;
*
o grande cansaço e a perigosa fadiga
onde a verdade pode escapar-se da vida
e a sua paixão alienar-se numa triste fantasia;
*
a contradição da vida no segredo universal
onde a dor abundante e a escassez da alegria
ocultam mum misterioso véu o seu ser primordial;
*
a bravura da vida à hora da realidade
onde a liberdade quebra a casca da fantasia
e imprime ao projecto toda a garra e veracidade;
*
É o sonho da vida no voo da verdade
e a viagem da vida no sonho da liberdade;
a alegria plena e a absoluta aspiração
na roda sagrada da afirmação
onde a vida e a verdade podem chocar
em ardente e trágica contradição;
A bravura da vida à hora da realidade
onde a liberdade sem cortar com a fantasia
é ela própria a rainha e a felicidade!...



Luis Lourenço

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O CAMAROTE DO AMOR

CAMAROTE DO AMOR_PIERRE A.RENOIR[Because You loved me- Celine Dion- no replay- barra de vídeo]
*
A poesia do amor, a eterna!
É como a felicidade que dança
Nos olhos de uma criança
E que só com o amor se alcança.
*
Com as vestes da fantasia
Abre as portas ao mistério.
E com os acordes da alegria
Toca o insensível do Universo.
*
Mas como neste jogo é nada,
Leve sombra do viajante na estrada.
Acrescenta o pleno da alegria
A cada instante de vida dourada...
*
Como o céu numa noite estrelada,
E o orvalho nos alvores da madrugada.
E como a bravura dos que a trazem ao colo
A emoção do Mundo vertida em leve esperança...
*
A poesia do amor, a eterna!
É como a ilusão que brilha
Nos olhos de uma criança.
E que só com a paixão se alcança!...


Luís Lourenço

sábado, 8 de novembro de 2008

A CHAVE, A MÃO E A PALAVRA

A CHAVE E A MÃO_TAMARA DE LEMPICKA
[I Surrender-Celine Dion-no replay, barra de vídeo]
*
É a vida do Mundo no sopro da linguagem
onde o pensamento é como um pássaro longínquo
que mal entardece numa voa logo para outra paragem;
*
a variedade do ser no voo do pensamento
onde a palavra não é só o sémen da realidade
mas a fonte e o brilho da paixão pela eternidade;
*
a brisa da liguagem nas brechas da realidade
onde o véu enganador do fragmento e da separação
volta a deixar ver inteira e clara a sua primordial união;
*
o espelho do ser e do horizonte
no eros da linguagem e do pensamento
onde ambos se banham na mesma fonte;
*
um raio de luz na névoa do ser
onde a palavra acaricía a frescura dos sentidos
e ao silêncio do pensar os volta a trazer
depois de adormecidos;
*
o voo da inspiração e do inefável
onde se juntam a núvem e o Sol e a promessa
do que no Mundo só é real se não se construir à pressa;
*
o amor do pensar na estética da palavra
onde a vida se aquece na lareira do ser
como os foguetes bailam nas horas da festa brava;
*
É a vida do Mundo no sopro da linguagem
e a brisa da linguagem nas brechas da realidade
onde o véu da aparência mostra agora a claridade;
O espelho do ser e do horizonte
a despertar da soberana fonte
onde todo o sentido é uma ponte;
O berço da inspiração e da aventura
onde todo o sentido já adormecido
volta a voar na poesia enriquecido!...



Luís Lourenço

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

HOMENAGEM À POETISA CECÍLIA MEIRELES

A PRIMEIRA SAÍDA_PIERRE A.RENOIR

[escutar música de Celine Dion-Im alive-barra de vídeo ao lado]
*
A vida só é possível
reinventada.
Anda o Sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo...mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem lua, vem, retira
as algemas dos meus braços
Projecto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só...no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só- na treva,
fico:recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possivel
reinventada.


Cecília Meireles

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A DESCOBERTA DO FOGO

A DESCOBERTA DO FOGO_RENÉ MAGRITTE [Escutar na barra de vídeo ao lado All By Myself de C.Dion]
*
É silêncio e a vida do pensamento
onde o eterno se reconcilia com o efémero
e o volatiliza no que nele é simplemente etéreo;
*
a encruzilhada e os oraculares caminhos
onde o gesto criador se grava no eterno
como os sulcos primordiais nos pergaminhos;
*
O absoluto do ser e a arte no objecto
onde criar é uma luminosa expressão
da liberdade na arte e da felicidade no afecto;
*
a fonte apetecível e a sua irradiação
onde sem quem for que aí habite
não pode deixar de pressentir o convite;
*
a querida entrada e a confortável estadia
onde o cume da verdade, do sonho e do mistério
é amor donde nunca advém adultério;
*
a paragem e o sopro libertador
onde ao momento vem a eternidade
e à palavra a revelação da verdade;
*
o laço profundo e a sagrada comunhão
onde o tempo que é usura e a eternidade que é sonho
se fundem numa festiva e solene união;
*
É o silêncio e a vida do pensamento
eterno e efémero juntos num só momento;
Ser e absoluta criação no objecto
liberdade nas artes e felicidade nos afectos
fonte, irradiação e convite;
Paragem e sopro libertador
onde o tempo é instante e eternidade
e a palavra é colina e liberdade!..

Luís Lourenço