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Aí vida!, porque te acenam com quimeras
Que já arderam em peregrinas febres
Mas nunca acenderam genuínas primaveras?
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Ai vida!, e porque te suspendem
Na leveza do seu voo ou na pureza do luar
Se-na tua raiz-és pomar e desafios e azar?
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Ai vida!, e porque se orgulham de ti
Mas-ao florear-te assim-te enviesam por atalhos
Sem te amar no profundo dos teus laços
Onde o Azar é anel cifrado que a tudo flori?
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Aí? ó musa altiva!-olhas-me sedutora
E jogas-me, no teu espelho, uma troça de vergonha
Na tua pose felina de imperscrutável feiticeira!
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Mas agora contigo! sou só laços puros...
A espelhar-me nos teus olhares seguros
Que são de risos e dores
Como espinhos em flores!
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E fico assim-dentro de ti-
Como na embriaguez da paixão!
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Até chegar a ser no teu mar
O rio de tudo o que sou...
E tu em mim as forças imensas que o vento levou...
A paixão real efémera do meu sonho
A incendiar-se, a cada lance, no eterno do teu fogo!...
Véu de Maya