terça-feira, 21 de maio de 2013

Ah, vida ! Que véus encobres tu?


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Ah, vida! Que véus encobres tu aos poetas?
Que se entranham em ti como fogo em neblinas,
Mas não resistem, ao transitar pelos teus ocres vermelhos,
De sonhar ainda desvelar as tuas misteriosas entrelinhas!
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Ah, poeta!-mas se deslizas em mim, como o luar em neblinas,
Por que haveria eu de te abrir o leque dos meus enigmas?
Se, no fundo dos teus enzimas, eu sou já o anel efémero dos teus véus,
Tal como o cometa errante por entre as estrelas dos céus;
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Ah, vida!-esses véus que me ocultas-são as raízes do teu chão!
Que essas chamas, trago-as eu-incertas mas puras-no fundo do meu coração,
Como as que levas ao silêncio das fontes, no riso dos profetas;

Ah, poeta! se me encanta o teu monólogo, em frémitos de espelho?
E como poderia eu, sonho de tudo, esquivar-me ao teu fogo sereno,
Se é na embriaguez dos poetas que eu sou o arco das tuas flechas!...

Véu de Maya


1 comentário:

heretico disse...

a poesia e a vida em turbilhão de beleza...

abraço