quarta-feira, 16 de maio de 2012

DÓI-ME O SILÊNCIO


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Dói-me a solidão
Que é refúgio forçado
Em vez de ser companhia sagrada;
*
Dói-me a vertigem
Que é atracção pelo abismo
Em vez de ser profundidade na origem;
*
Dói-me o silêncio
Que é refúgio solitário
Em vez de ser meditação doirada;
*
Dói-me a inquietação
Que é voragem acelerada
Em vez de ser plantação solidária;
*
E dói-me ainda mais a vilania insolente
Que sob os véus da elegância delicada
Destrói à vida como um veneno corroente;
*
Mas bendigo o silêncio
Onde ele é altar de meditação doirada...
E à vida onde ela é inquietação sublime
E plantação solidária...
E ao Mundo até que no seu coração
Floresça o amor...e se dilua a dor
Companheira da alegria
Como a aurora na madrugada!...

Véu de Maya

1 comentário:

Sonhadora disse...

Meu querido Poeta


Senti neste poema uma armadura de aço que prende as mãos... que amordaça os gestos numa estrada de silêncio onde não nos encontramos...no árido labirinto que percorremos no vazio inabitável de lugar nenhum.
Como sempre é muito difícil comentar o que apenas se deve sentir.

Beijinho com carinho
Sonhadora