
domingo, 14 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
NARCISO EM IDÍLIO

NARCISO_CARAVAGGIO
*
Entre a rosa da paixão
e os lírios do teu olhar,
Rasgam-se as bocas,
No desejo tão loucas,
E na volúpia um pomar,
*
Entre as ninfas do luar
e a alquimia dos sábios,
Solta-se um arco-íris,
Que espreita nos teus lábios
como búzios em dunas do mar,
*
Entre jogos de criança
e os azares do Universo,
Corre o mundo em tuas águas,

Entre a rosa da paixão
e os lírios do teu olhar,
Rasgam-se as bocas,
No desejo tão loucas,
E na volúpia um pomar,
*
Entre as ninfas do luar
e a alquimia dos sábios,
Solta-se um arco-íris,
Que espreita nos teus lábios
como búzios em dunas do mar,
*
Entre jogos de criança
e os azares do Universo,
Corre o mundo em tuas águas,
em brincos de mudança,
Até ser barco profundo,
no rio das tuas mágoas,
*
E é aí que tudo floresce,
É aí que se afagam as bocas,
Até ser barco profundo,
no rio das tuas mágoas,
*
E é aí que tudo floresce,
É aí que se afagam as bocas,
em faíscas de fogo e de luar,
E é ai, entre a rosa da paixão
e os lírios do teu olhar,
Que todo o idílio acontece!...
e os lírios do teu olhar,
Que todo o idílio acontece!...
Véu de Maya
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
PÉROLAS DE NIETZSCHE
MULHER COM FLOR_PICASSO
*****

A arte é um contramovimento insigne contra o niilismo.
O elemento artístico cria e configura. Se ele constitui a actividade metafísica pura e simplesmente, então todo o fazer, sobretudo o fazer supremo, ou seja, mesmo o pensar inerente à filosofia, precisa de ser determinado a partir dele. O conceito de filosofia não pode mais ser determinado, segundo a figura do doutrinador moral, segundo aquele que estabelece que contra este mundo que não vale nada há um outro mais elevado.É preciso muito mais que seja estabelecido contra esse filósofo moral niilista[cujo exemplo mais recente a pairar diante de Nietzsche é Schpenhauer] o filósofo do contramovimento, o "filósofo-artista". Esse filósofo é artista na medida em que configura o ente na totalidade, isto é, na medida em que estabelece formas inicialmente lá onde o ente na totalidade se manifesta, no homem.É preciso ler o nº 795 da Vontade de Poder] no sentido dessa ideia.
" O filósofo artista. Conceito mais elevado de arte. Será que o homem pode colocar-se tão distante de outros homens, a ponto de configurá-los?[exercícios prévios: 1. O que configura a si mesmo, o eremita, 2.o artista até aqui, como o pequeno realizador, trabalhando sempre sobre uma matéria dada]".
A arte, sobretudo em sentido mais restrito, é o dizer sim ao sensível, à aparência, ao que não é "o mundo verdadeiro", ou como Nietzsche diz, de maneira breve, ao que não é a "verdade".
Na arte decide-se o que é a verdade; e isso sempre significa para Nietzsche o seguinte: o que é verdadeiro, ou o que é o ente propriamente dito. isso corresponde àquela concepção necessária entre a pergunta directriz da filosofia e a pergunta fundamental da filosofia, por um lado, e a pergunta sobre o que é a verdade, por outro. A arte é a vontade de aparência como vontade de sensível.No entanto Nietzsche diz dessa vontade[XIV, 369]
"A vontade de aparência, de ilusão, de engano, de devir e de mudança, é mais profunda, mais metafísica do que a vontade de verdade, de realidade, de ser".
O que se tem em vista aqui é o verdadeiro no sentido de Platão, o que é em si, as ideias, o supra-sensível.Para Nietzsche, em contrapartida, a vontade do mundo sensível e de sua riqueza é a vontade do que a metafísica busca.Portanto a vontade do sensível é metafísica.
Essa vontade metafísica é realmente efectiva na arte
Nietzsche diz[XIV, 368]:
"Percebi realmente muito cedo a seriedade da relação entre arte e verdade, e ainda agora experimento um horror sagrado diante dessa disensão.O meu primeiro livro foi dedicado a ela; A Origem da Tragédia acredita na arte sob o pano de fundo de uma outra crença: a de que não é possível viver com a verdade; a de que a própria vontade de verdade é um sintoma de degradação...
A sentença soa monstruosa! Todavia, ainda que não perca o seu peso, ela perde a sua estranheza logo que é lida de forma correcta. Vontade de verdade significa aqui e sempre em Nietzsche, vontade do mundo verdadeiro, no sentido de Platão e do cristianismo, a vontade do supra-sensível, do que é em si. A vontade de um tal " ser verdadeiro" é, com efeito, um dizer não ao nosso mundo aqui, ao mundo justamente no qual a arte está na sua terra natal. Já que este mundo é o propriamente real e o único verdadeiro.. Nietzsche pode esclarecer quanto à relação entre arte e verdade :
que a arte tem" mais valor do que a verdade"[n 853-IV]; isso significa: o sensível encontra-se em uma posição mais elevada e é mais próprio do que o supra-sensível..Por isso Nietzsche diz: Nós temos a arte para não irmos ao fundo, para não perecermos com a verdade"[nº822] Verdade visa uma vez mais ao mundo verdadeiro em sua ligação com o supra-sensível; ela abriga em sim um risco de perecimento da vida, o que sempre significa no sentido de Nietzsche: de perecimento da vida ascendente. O supr-sensível arranca a vida á sensibilidade poderosa, subtrai dela as suas forças e a enfraquece"...Nietzsche, Martin Heidegger, vol 1-Forense Universitária.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
TERNO DUETO

*
És a orquídea encarnada,
E eu o teu cheiro sagrado,
Tu perfume na minha madrugada,
E eu lírio em prazer desflorado,
*
És a volúpia atrevida,
E eu o erotismo em flocos de cetim,
Tu a ousadia desprevenida,
E eu os toques de harpa sem fim,
*
És o banho em aberto,
E eu o desejo por perto,
Tu a paixão que enfatiza,
E eu o amor que suaviza,
*
És a praia encantada,
E eu a onda até ficar quebrada,
Tu a sedução bailarina no mar,
E eu o navio pró na onda a baloiçar,
*
E eu o teu cheiro sagrado,
Tu perfume na minha madrugada,
E eu lírio em prazer desflorado,
*
És a volúpia atrevida,
E eu o erotismo em flocos de cetim,
Tu a ousadia desprevenida,
E eu os toques de harpa sem fim,
*
És o banho em aberto,
E eu o desejo por perto,
Tu a paixão que enfatiza,
E eu o amor que suaviza,
*
És a praia encantada,
E eu a onda até ficar quebrada,
Tu a sedução bailarina no mar,
E eu o navio pró na onda a baloiçar,
*
És brisa na minha liberdade,
E eu Sol na tua volúpia encarnada,
Tu a paixão na minha felicidade,
Tu a paixão na minha felicidade,
E eu o luar na tua ilha estrelada...
Véu de Maya
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
PARABÉNS MÃEZINHA...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
TRAGO EM MIM...

BELEZA PROFUNDA
*
Trago em mim fogo de estrela,
E o sopro virgem das correntes,
Que é silêncio nas alturas que desvela,
E a brisa fértil das nascentes,
*
Nos seus clarões expõe-me aos ventos,
E na sua pele cheira-me a teares,
Trago em mim fogo de estrela,
E o sopro virgem das correntes,
Que é silêncio nas alturas que desvela,
E a brisa fértil das nascentes,
*
Nos seus clarões expõe-me aos ventos,
E na sua pele cheira-me a teares,
Como uma paixão de desejos e pomares,
*
Afaga-te em mim vertigem do tempo,
E em tudo onde a vida é fio simplesmente,
Tece no azar um pomar pra toda a gente,
e deixa-me andar à tua altura em esquecimento,
*
Afaga-te em mim vertigem do tempo,
E em tudo onde a vida é fio simplesmente,
Tece no azar um pomar pra toda a gente,
e deixa-me andar à tua altura em esquecimento,
Mas dá-me o fulgor e a brisa da nascente...
Véu de Maya
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
NUMA PÉROLA DOURADA

CRIANÇAS NO TERRAÇO_RENOIR
[Celine Dion- Oh Holy night- Vídeo acima]
*

*
Desprendo-me ao vento,
Como se o ar fosse fermento,
E a vida livre em carrossel imenso,
E o claro da chama a cada momento.
*
Entrego-me aos clarões da noite,
E esvoaço em véus de silêncio,
Como sedas em corpos de sereias,
E faróis no mar em frémito intenso.
*
Brindo aos cheiros da madrugada,
E às cores da vida em orquestra colorida,
Como se o ar fosse fermento,
E a vida livre em carrossel imenso,
E o claro da chama a cada momento.
*
Entrego-me aos clarões da noite,
E esvoaço em véus de silêncio,
Como sedas em corpos de sereias,
E faróis no mar em frémito intenso.
*
Brindo aos cheiros da madrugada,
E às cores da vida em orquestra colorida,
E às escamas fugidias em serpente prateada,
E aos voos longos em anel de águia furtiva.
*
E giro nesta dança que é amor de criança,
*
E giro nesta dança que é amor de criança,
Às voltas no instante, em rotação sagrada,
Onde sopra o vento e o mar e o céu e o nada,
Onde sopra o vento e o mar e o céu e o nada,
E eu, um dia, talvez, numa pérola dourada!...
Véu de Maya
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
EM TRAJES DE CETIM

O HOMEM DE VITRÚVIO_LEONARDO DA VINCI
[Mozart- conc nº 21-video acima]
*
Sou a alegria sem fim,
E a tristeza sem fundo,
Mas visto as dores do mundo
com trajes de cetim!
*
Trago-as dolorosas no peito,
como ecos dum grito imenso,
Que o pintam em telas a preceito,
as parcas sibilinas do silêncio!
*
Giro em universo profundo,
à ilusão do mar que é rio em mim,
De sonhar que as dores do mundo
cheirem às flores do meu jardim!
*
E afago-me só, neste toque profundo,
De cheiro a pétalas em tons diversos ,
Sou a alegria sem fim,
E a tristeza sem fundo,
Mas visto as dores do mundo
com trajes de cetim!
*
Trago-as dolorosas no peito,
como ecos dum grito imenso,
Que o pintam em telas a preceito,
as parcas sibilinas do silêncio!
*
Giro em universo profundo,
à ilusão do mar que é rio em mim,
De sonhar que as dores do mundo
cheirem às flores do meu jardim!
*
E afago-me só, neste toque profundo,
De cheiro a pétalas em tons diversos ,
Voos de pássaro aflito que é dor em versos,
Ao esvoaçar tenso pelas elegias do Mundo!...
Ao esvoaçar tenso pelas elegias do Mundo!...
Véu de Maya
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O INSTANTE QUE ARRISCA

[Pink Floyd-coming back to life-vídeo acima]
*
Sou a vida que passa
e o instante que arrisca,
como a paixão que se rasga,
e a embriaguês que estica.
*
Sou a dor que me encontra
e o caos que se precipita,
como a alegria que é pronta,
e a felicidade que não se explica.
*
Sou o barco que se mima,
e as vagas que o céu clareia,
E até os cheiros à deriva
nos lábios de uma sereia.
*
Sou o cometa que passa,
nebuloso mas que marca,
E os fios de brancura que deixa
como núvens que o Sol branqueia.
*
Sou a explosão, até sem ser louco,
E até sem fluir mais do que sou rio,
Mas se no que vivo isso tudo ainda é pouco,
Então quero ser flecha, vento, e pássaro,
E até ar, voo e fogo, e o véu do que não digo!...
Véu de Maya
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
POEMA SEM TÍTULO
PORMENOR DE O TOCADOR DE LIRA_CARAVAGGIO
*****

Nem em uma palavra,
nem no princípio de uma palavra,
nem no silêncio do qual nasce a palavra,
nem no silêncio ao qual a palavra volta,
nem no espaço segredo da aprendizagem,
nem no segredo espaço do esquecimento,
nem no íntimo dor do medo,
nem no valor de falar com a dor,
nem no desejo de explicar os pássaros,
nem na certeza dessa impossibilidade,
nem na beleza de ambas as coisas,
nem na fuga constante da realidade,
nem sua constante presença na fuga,
nem nas coisas que não soube,
nem nos feitos que não fiz,
nem nos ventos que não voei,
nem no amor de Deus,
nem em todo o céu caindo sobre a terra,
nem em toda a terra subindo ao céu,
nem em nada que tenha medida,
seja dimensão, espaço ou tempo,
nem em nada que não a tenha,
nem em nada do que anteriormente escrito,
nem em nada do que anteriormente não escrito.
Em nada serei eu sem mim
e em nada serei sem ti.
Rafael Lourenço
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A CHAMA DO SER
RAPAZ LEVANDO UM CESTO DE FRUTAS_CARAVAGGIO
[Amália Rodrigues-Povo que Lavas no Rio-Vídeo acima]

*
É o sopro e a distância
que estão para a chama do ser
como o acto está para a transbordância;
*
a força do ser e da amizade
que na textura do mundo são tão antigas
como a própria eternidade;
*
o cárcer da dor e da tristeza
que se espalham pelo mundo
quando nos seres vagueia a fraqueza;
*
o poder da alegria e da felicidade
cujos eflúvios no mundo jamais se esgotam
mesmo quando deles só resta a saudade;
*
o desejo do mais e a bela espontaneidade
que aspiram em pleno ao triunfo no ser
como as fontes da própria liberdade;
*
o medo e as pressões glaciares
que fecham de súbito a existência
no escuro dos pesadelos polares;
*
o movimento e a expansão
que erram caóticos na cósmica energia
e em cuja órbita vagueia a dor e a alegria;
*
É sopro e distância, ser e transbordância,
desejo de querer mais até à última instancia,
energia e expansão, vontade e libertação,
saudade, nostalgia e realização;
Movimento e espontaneidade,
ponte para a eternidade,
e no caminho que é a aventura,
a filosofia como apelo à imortalidade!...
Luis Lourenço, Poética do Instante filosófico.
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