segunda-feira, 29 de outubro de 2012

NA RAIZ DAS COISAS



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É o fluxo do ser na sua aspiração de ser outro,
onde se afirma o horizonte e a fronteira
de querer ser mais tudo-sendo pouco;
*
a chama de ser na pergunta que o transcende
em busca do que é mas que não se surpreende
apesar da paixão que nele se acende;
*
a urgência de ser na angústia que nele se enquista
como o amor da mulher a quem se ama
mas jamais se conquista;
*
A luta do ser face ao cerco do não-ser
onde a violência levada ao altar
gera o poderoso impulso de se renovar;
*
a força do Universo e o jogo do devir
que inocentam o destino trágico dos seres
no fado do voltar a chegar e a partir;
*
a aspiração no ser e a urgência de sentido
que se abismam no trágico herói
na procura mais valiosa mas que mais dói;
*
É fluxo e raiz, angústia e aspiração
chama que se acende no mais...
Que se ama mas não se transcende;
Liberdade na fronteira do não-ser:
limite-expansão e horizonte
cerco-abertura e ponte...
Aposta valiosa de herói
Que cura e liberta...
Mas vai retornando e dói!...

Véu de Maya



5 comentários:

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Meu querido Poeta

Há dores que ficam no tempo...e nem o tempo as leva.
Como sempre as palavras para te comentar não as encontro.Sinto apenas.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Anónimo disse...

"...como o amor de uma mulher que se ama, mas jamais se conquista..."

Existem mulheres assim, inconquistáveis...

Passam apenas para deixar o aroma dos deuses.

Luis lourenço disse...

Anónimo[a]!

Uma diletante prosápia...Obrigado pela visita, mas o meu poema está muito para além disso.

Sandra Subtil disse...

Um poema inquietante, como o é o ser humano e a sua constante insatisfação.
Beijinho Luis.

heretico disse...

a roçar o magma do indizivel se solta a palavra poética...

muito belo.

abraço