quinta-feira, 8 de julho de 2010

INTERLÚDIO REFLEXIVO...

MULHER À VARANDA_MUNCH *****
O Mundo que queríamos fazer, mas acabámos por desfazer, voltará, como sempre, no deserto que cresce, e nos oásis que lhe devolvem a esperança... convicção ou textura do Mundo?...

Contra a grande ilusão de que o Mundo podia ser melhor, ergue-se o caos que tudo engloba e em tudo pressiona...Será que a poderosa tecnologia apoiada pela investigação científica de ponta será capaz de o derrotar?...erro de perspectiva ou a verdade em perspectiva?...

Ingénua convicção: depois de um longo devir histórico e cosmológico, o mundo devia estar mais perfeito, mais solidário, mais justo...Uma catártica consolação para as belas-almas... mas qual a correspondência na realidade?...fracassos de política mundial?... ausência de Deus? Fraqueza humana? escassez de recursos? Distribuição da riqueza?

No leque de projecções antropomórficas vitais, consola ainda existência do amor e a sua aversão contra todas as formas de mal e de ódio já tão trivializadas no Mundo; Que bela consolação!...oásis no deserto...

Como o deserto, também o amor, nas suas diversas formas, voltará, para nos fazer acordar destas ilusões que, embora bálsamos para os corações, se revelam impotentes contra a factualidade trágica da vida no Mundo...Inocência face à realidade dura!... incontornáveis ambas?..

Céptico quanto ao poder destas ilusões que nos afagam como véus de salvação, não sei se possa acreditar, embora sonhe, que o futuro do Mundo será melhor: Que o amor acabará por triunfar sobre o ódio; a justiça e o direito sobre a injustiça e a violência; o trabalho e a produtividade sobre a fome, a pobreza e a miséria; a inteligência sobre a estupidez e a cegueira ; a liberdade sobre a escravidão...Cenário idílico?...

Que fica então? O sim total à vida...A lucidez para aceitar o que se não pode mudar; A coragem para mudar o que urge ser transformado;
E a sabedoria do realismo, para ligar a lucidez à bravura, sem cair na sedução perigosa de projeccões antropológicas tão tentadoras...

Optimismo ou pessimismo? Realismo sereno, tanto quante baste: esperança ou desespero levados ao paradoxismo- como evitá-los?...A arte e a renovação urgente do poder de criar - estimulantes fortes da vida e não só refúgios de resignação... será possível enfrentar o deserto que se alastra no pequeno como no grande das nossas vidas?...É isto a Vida!...É isto o Mundo!... Todo o gesto ou feito só tem grandeza, quando tem espiritualidade... Que falta ela faz?...O enorme risco e a maior aposta...



Véu de Maya

2 comentários:

ETERNA APAIXONADA disse...

Meu querido poeta transita entre inspirações líricas, românticas e filosóficas. E nos presenteia sempre com páginas ricas e belas!
Nesta postagem suas inquietudes, indagações, perplexidades, constatações e indagações, demonstram seu brilho de pura sensibilidade!
E emociona sempre...
Obrigada por mais essa oportunidade!
Saio sempre mais enriquecida!
Beijos com muita paixão...

Véu de Maya disse...

Sem sensibilidade a inteligência é vazia, e sem inteligência a sensibilidade é tosca...ricos são também seus comentários sensíveis e inteligentes...Obrigado pela minha linda...miminhos, muitos, pra vc...
Luigi