Assim os argumentos mais convincentes a favor da superioridade absoluta da liberdade interior podem ainda ser encontrados num ensaio de Epicteto, onde este começa por afirmar que o homem livre é aquele que vive conforme deseja, definição esta que ecoa estranhamente uma frase da Política de Aristóteteles, onde a afirmação«liberdade» significa fazer-se aquilo de que se gosta» é posta na boca daqueles que não sabem o que é a liberdade. Epictecto prossegue então a sua argumentação mostrando que um homem é livre se se restringe àquilo que está em seu poder, se não avançar para domínios onde pode ser travado. A « ciência de viver» consiste em saber distinguir entre o mundo exterior, sobre o qual o homem não tem poder, e o domínio do eu, do qual pode dispor como bem lhe aprouver.Hannah Arendt, Entre o Passado e o Futuro.