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No riacho dos teus olhos
Pressinto desejos sagrados,
Mas é só na bruma dos teus sonhos
Que eles ardem endiabrados!
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Entre o azul do céu
E o céu da tua boca
Anda a minha boca louca...
E a tua outra, vermelha,
Como veludo dos lábios
Em volúpia suspensa!
*
Na tua alma dói um encanto
Que à minha alma faz chorar...
Quero extirpar dela o pranto
Para fazer a tua alegria voltar;
*
No teu coração ingénuo
Que aos meus olhos não sabe fingir,
Arde louca a tua volúpia de amor,
*
Mas nos meus olhos
Que são espelho dos teus
Dança, errante, a minha paixão boémia
Que ao teu coração tão terno
Já não é capaz de mentir...
*
Se o vento te bate nas asas
E não te deixa voar como queres
Deita-te nas minhas asas
E aí, voarás como quiseres...
Véu de Maya




