segunda-feira, 21 de maio de 2012

AH, VIDA LOUCA...PARA HIPOCONDRÍACOS E NIILISTAS


*****
Ai vida!, desvelo em ti tantos passarinhos,
Deitados em suas asas puras e branquinhas
A voar inocentes e direitinhos
Até se suspenderem leves nos mantos do céu...
*
E eu-que me abismo tão peregrino e terreno!
Onde queimei eu essas asas leves
Que antes mas agora já não me levam ao céu?
*
E por ficar assim tão frágil
Tenho de viver na terra e superar-me
 Incerto nos desafios secretos do véu!
*
Ah, vida louca!, porque me seduzes tanto...
Que só a ti amo e não preciso doutra amante
Para arder na tua paixão de alegria e pranto
Tão exuberante em ti ...
Como noutro rosto semelhante?
*
Mas-já que és tão preciosa e breve-
Ó vida exuberante, minha rainha doirada...
Deixa-me arder livre na paixão do teu fogo
Pois enquanto arder em ti!
Sonharei livre-e de morte precoce-
 Ó vida soberana! A ti jamais matarei...

Véu de Maya

sábado, 19 de maio de 2012

ELEVADOR DO AMOR

*****
É a arte de persuadir a aldeia global
que os ventos da civilização são o mais nobre antídoto
contra a cegueira da barbárie e a vulgarização do mal;
*
As fontes da felicidade comum
onde os critérios superiores de ética vital
se sobrepõem aos caprichos da felicidade individual;
*
A dor e a tristeza que invadem os povos
quando a sua existência os condena à aflição
de faltar o sentido da vida para os novos;
*
A revolta e a triste indignação
que atravessam os laços da civilização
quando a barbárie triunfa sobre as luzes da razão;
*
A urgência de expandir em todo o cidadão
a cultura da saúde, da liberdade, e da acção
como a melhor fortaleza de todo o Estado ou Nação;
*
A justiça do direito na raíz dos argumentos
onde se combate o atropelo e a mentira e a falsidade
e se celebra o amor ao planeta em notáveis monumentos;
*
É arte de persuadir a aldeia global
que os ventos da civilização são o melhor antídoto
contra a cegueira da barbárie e a estupidez do mal;
Combate do humano sobre a violência
e os sopros do amor que marcam o mundo
com a sua errante mas valiosa presença;
Cultura da saúde, da liberdade e da acção...
notáveis guerreiros contra a decadência
e na civilização uma eterna emergência!...
Véu de Maya

quarta-feira, 16 de maio de 2012

DÓI-ME O SILÊNCIO


*****
Dói-me a solidão
Que é refúgio forçado
Em vez de ser companhia sagrada;
*
Dói-me a vertigem
Que é atracção pelo abismo
Em vez de ser profundidade na origem;
*
Dói-me o silêncio
Que é refúgio solitário
Em vez de ser meditação doirada;
*
Dói-me a inquietação
Que é voragem acelerada
Em vez de ser plantação solidária;
*
E dói-me ainda mais a vilania insolente
Que sob os véus da elegância delicada
Destrói à vida como um veneno corroente;
*
Mas bendigo o silêncio
Onde ele é altar de meditação doirada...
E à vida onde ela é inquietação sublime
E plantação solidária...
E ao Mundo até que no seu coração
Floresça o amor...e se dilua a dor
Companheira da alegria
Como a aurora na madrugada!...

Véu de Maya

domingo, 13 de maio de 2012

DÓI-ME A ALMA


*****
Dói-me o gesto
que se enrola à lassidão
E já não vibra de ambição.
*
Dói-me a virtude
que se evapora em alma
Mas não oferece o amor que salva.
*
Dói-me a vida
 que se enlaça à saudade
Mas não é barco de liberdade.
*
Dói-me o mundo
 que confunde vertigem com voragem
E não projecta o futuro com grandeza e coragem.
*
E dói-me ainda mais a perversidade deliberada
Que sob os véus da verdade sagrada
Envenena à vida como uma hidra endiabrada...
*
Mas bendigo o Silêncio
 Onde ele é fonte de amor que salva...
E à Vida
Onde ela é paixão forte e barco de liberdade...
E ao Mundo...
 Até que no destino da vida?
Triunfe o amor...e se dilua esta dor
 Como no fado a saudade!...

Véu de Maya

quinta-feira, 10 de maio de 2012

TOCATA ESTRELAR


*****
Entre a saudade que é o fado da vida
E o amor que é barco em mar profundo
Circula o ódio vão que ao amor desgraça
E a estupidez crassa que ao mundo desbarata!
*
Entre a fortaleza do amor
Em rotas firmes de conquista e dor...
E o ódio vão que se trivializa louco
Por achar tão pouco o mal que sempre faz...
*
Brilham as estrelas que à noite escura iluminam
E os sonhos que à vida sob cores exóticas suavizam!
*
Mas dói tanto esta vertigem profunda
Que por ser tão triste só o Sol a ilumina!
Tal como ao ódio gratuito só o combate duro
E à dor profunda esta tocata que a sublima!...

Véu de Maya

terça-feira, 8 de maio de 2012

PAIXÕES DE POETA


*****
Ai as paixões dos poetas
Não as amarra ninguém:
São livres como as borboletas
Que são felinas também!
*
Transitam no mar e na terra
E ao luar ficam estreladas...
São bacantes na Primavera
Mas andam sempre extasiadas!
*
Só quem as entranha no corpo
E dança à sua loucura...
É que as pode foguear na alma
E embriagar-se na sua frescura!
*
E eu que as desfloro a dançar
E vou à fonte vital das festas...
Sou como as borboletas no ar
Trago a paixão virginal dos poetas!...

Véu de Maya

segunda-feira, 7 de maio de 2012

VOO LONGÍNQUO


*****
Entre as estrelas que nos olham
E os ventos que desfolham
 Ergue-se a vida que a tudo transforma
E vence a morte que tudo devora!
*
Entre a vida incerta que nos projecta
E a sibilina morte que a tudo seca
Gira o tempo tenso que nos desperta
E o Universo imenso que nos inquieta!
*
 Mas entre nós e o destino que nos prende...
Baila o efémero da vida que nos desafia
E o brilhar das estrelas que nos surpreende
No olhar suspenso do voo que nos ilumina...
*
Até que na nossa aventura de viver
 A vida se tenha exaurido-por inteiro-no seu florescer... 
E face às vestes sombrias da inelutável morte
Entregue lealmente o seu nobre passaporte.

Véu de Maya

domingo, 29 de abril de 2012

A NÉVOA DOS TEUS OLHOS


*****
A névoa que vejo em teus olhos
 é ninfa como a bruma do mar...
Mas vem de vagas tãos rebeldes
 que cheira a brisa ao rebentar!
*
 Nas cordas da tua paixão
toco à virgindade dos risos...
Mas é nas irrupções do teu corpo
 que sou a harpa dos teus gemidos!
*
Nos teus olhos brincam sonhos
e nos meus vibram desejos...
 Mas é aos acordes da alma
que eles se embriagam risohos
e trocam espelhos por beijos!
*
 Entre os risos da madrugada
e o prazer dos teus folhos...
Rasga-se a volúpia sagrada
e a malícia dos meus olhos
em que te espelhas acordada!
*
Da ternura dos teus olhos
aos risos do meu olhar...
Todos os rios que correm por ti
 vêm desaguar ao meu mar!
*
 Quando te apartas de mim
 fico como a bruma de Outono...
Afago-te no meu cheiro distante
à espera que outra noite dançante
me leve outra vez até ti!...

Véu de Maya

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O MEU BARCO


*****
É o amor da viagem e o rumo do navio
que se desafiam um ao outro
com igual coragem e sangue frio;
*
O mar profundo e a arriscada travessia
onde os barcos no mar e na vida os sonhos
se enrolam nos seus enigmas;
*
O porto de partida e o porto de chegada
onde cada saída é uma nova partida
e cada partida é uma nova chegada;
*
As expectativas e a superação
que no navio são o ar e a respiração
e na vida a nobreza da missão;
*
A ambição e as descobertas
que se jogam belas e seguras
mesmo nos portos da hora incerta;
*
A fruição e as formas belas
que sopram durante o percurso
e se renovam em criações serenas;
*
A felicidade do mar e a aventura do navio
que mesmo quando ficam da vida ausentes
voltam no sonho a fazer-se sentir presentes;
*
É o amor da viagem e a arriscada travessia
onde os barcos no mar e os destinos na vida
se enrolam nos seus enigmas...
 Frágil círculo das partidas e das chegadas...
Onde, no mar que é metáfora e na vida que é luta,
transitam os humanos que marcam a sua passagem
Com as mais belas e terríveis pegádas!...

Véu de Maya

terça-feira, 24 de abril de 2012

TRAGO UM CRAVO...E O LUAR NA MINHA JANELA.


*****
Trago um cravo na lapela
E o luar na minha janela
Não nos roubem a liberdade
Porque a vida é cinderela...
*
Se cortarem esta flor-bela
Perderão o meu respeito
Pois sempre lutei por ela
Não quero ver o sonho desfeito...
*
Trago um cravo na lapela
E o luar na minha Janela
Não nos cortem a liberdade
Porque sem ela? Murchará a felicidade
E a vida? Esgotar-se-ia simplesmente,
Numa paixão triste, sem tela.

Véu de Maya

domingo, 22 de abril de 2012

Ó VIDA PEREGRINA!


*****
Porque me seduzes, ó vida peregrina,
Com os teus véus de feitiçeira atrevida!
Se quando te quero amar de verdade
Tu me atiras com volúpias mais de mentira?
*
Mas que retórica tola-retratas-me tu-
Ao desvelar-me com o teu espanto
No sorriso encantador de seduzir!
*
Como poderias-tão depressa assim-possuir-me,
Se eu sou a orgia pura no azar de quem arrisca...
E ao embalar-te com ilusões de verdade,
Sou a mais bela e arrojada peregrina
Nos lances sedutores da máscara e da mentira?
*
Ah, vida exuberante-aí-despertas-me de mim,
Ao banhar-me no teu caudal esfuseante
E girar nos teus labirintos de dor e euforia!
*
Até ser em ti-puramente-só laços ardentes do coração
E tu em mim, ilusões fortes e pomares de flores!
Ó vida pura! Ó mais bela impostora, sem pudores,
Como és tão verdadeira, até nas ilusões e nos amores!...

Véu de Maya

quarta-feira, 11 de abril de 2012

FLAUTA DE PÃ-actualizada.



*****
Somos o mar e a corrente
a plantação e a semente
o ar e a liberdade premente
o fogo do amor puro, inocente;
*
Somos o labirinto trágico
e a medida do conflito
onde balança no Universo
tudo o que é belo e perverso;
*
Somos o navio e os faróis
as vagas e a aventura
a lentidão do caracóis
e a leveza das gaivotas;
*
Somos os acordes e os ouvidos
a música e os gemidos,
o eco dos mundos perdidos
na noite abissal dos conflitos;
*
Somos a liberdade incarnada
a vida nos riscos do nada
a aventura que é vertigem
na colina e na mirada;
*
Somos o tudo e o nada
a vida no sim celebrada
e a afirmação renegada
da liberdade sagrada;
*
Somos o silêncio profundo
e a palavra metáfora sibilina
o paraíso dos sons...
E esta música abismada
na mais perfeita surdina!...

Véu de Maya







sábado, 7 de abril de 2012

PRECE DO MEIO-DIA...BOA PÁSCOA...



*****
Não me dês só o Universo
dá-me também um Mundo
porque o tempo sem vida
seria como um abismo profundo;
*
Não me dês só um Mundo
dá-me também uma vida
porque o Universo sem vida
seria como um caos sem fundo;
*
Não me dês só uma vida
dá-me também o amor
porque a vida sem paixão
seria como uma flor esbecida;
*
Não me dês só o tempo
nem me dês só o mundo
Não me dês só a vida
nem me dês só o amor:
*
Dá-me tudo isto, com paixão,
agora e sempre, seja onde for,
Mas antes de tudo isto,
dá-me paz, sonho...e liberdade...
*
Porque sem essa realidade
o mundo seria só voracidade ou tédio
e a dor e a alegria da vida
não chegariam a ter verdade!...

Véu de Maya

quinta-feira, 5 de abril de 2012

DÓI-ME O RISO



*****
Dói-me o riso
que não traz à vida
a festa do juízo;
*
Doí-me a dor
que não traz ao mundo
os laços do amor;
*
Dói-me a fraqueza
que se abraça à resignação
e já nem arrisca a superação;
*
Dói-me a força
que grita no silêncio
mas não transborda em gesto imenso;
*
E dói-me ainda mais
o grito que já não transborda
o deserto que alastra
e a vilania que retorna e grassa;
*
Mas bendigo ao silêncio
onde ele é grito e acto
e ao amor onde ele é livre gesto e laço;
E ao mundo até que no seu espelho
triunfe o amor
e se dilua a dor
que neste poema enlaço!...

Véu de Maya

segunda-feira, 2 de abril de 2012

QUE BELO RISCO!



*****
É o poder da dor e a bravura contra a opressão
numa âncora valiosa e exaltante
para arrancar o Mundo à escravidão;
*
a força da alegria e o sabor da libertação
onde tantas formas doentes e sombrias
são arrancadas à sua cruel desagregação;
*
a ligação entre os seres e a rebeldia
onde se compelem a união e a separação
para os obrigar à sua inevitável missão;

*
o conflito e a pobre discórdia
onde se afundam a vida e a cultura
quando os povos perdem o sentido da glória;
*
a lucidez e a nobre resignação
onde o enigmático e poderoso Universo
acolhe o homem nos confins da sua reflexão;
*
a perda do eu e o êxtase deleitável
onde nos véus da visão se perdem os detalhes do ver
mas na roda do ser um caos festivo volta a acontecer:
*
a dor do vazio e da escravidão
indeléveis na ausência de ser e na triste humilhação
vergonha do homem e a coragem pela libertação;
*
É vazio e dor, coragem e libertação
paradoxo de sermos rebeldia e união
lucidez e nobre resignação
O Universo como indelével e condição
nas fronteiras da própria reflexão;
Silêncio do ser na totalidade englobante
onde o homem é apenas um guerreiro vacilante:
E o mais belo risco a aposta permanente
que diz absoluta à vida: estou presente!...

Véu de Maya



*

domingo, 18 de março de 2012

ODE À VIDA-ACTUALIZADO





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PS-Vou ficar fora das postagens por um tempinho....Deixo-vos o link do meu canal de poesia. Tenho lá 115 vídeos da minha poesia-para todos os gostos-desde a lírica-erótica à existencial-filosófica...e alguns dos meus vídeos musicais favoritos...Grato sempre pelo vosso carinho.

quinta-feira, 15 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VÉU DA ILUSÃO



É a errância e a dúvida libertadora
onde desponta uma refrescante aurora
com inéditas questões que varrem os dogmas para fora;

*
a ilusão frágil de ser senhor de si e do Universo
onde sobre o real tudo é duvidoso e controverso
menos o que no pensar está inscrito e é o inverso;

*
o espanto frente à imensa Natureza
onde a confiança no mecanismo e na ciência
dá lugar aos pilares de tão almejada fortaleza;

*
a humilde sabedoria das metamorfoses
no Universo, múltiplas, errantes, e dispersas,
e no homem firmes, se as mistura em doses certas;

*
o jogo da dúvida e da certeza
onde cada pergunta desafia a incerteza
e cada dúvida ambiciona por uma nova certeza;

*
o mito da certeza e a ilusão do sujeito
na claridade de uma nova dialéctica
onde a certeza do eu é apenas aspiração frenética;

*
o percurso, a dúvida, e o lugar da verdade
onde a certeza é a bela ilusão em que a dúvida repousa
antes de voar para uma nova imaginação da realidade;

*
É a dúvida e a viagem libertadora,
incerteza e errância no desconhecido;
Humilde sabedoria das metamorfoses,
no Universo e no homem,
distantes mas conformes;
Percurso, inquietação, e lugar da verdade
onde a dúvida repousa efémera e lúcida
num alegre despertar face à realidade
até subir a uma nova certeza e claridade!...


Véu de Maya

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012