*****
Trago-te em mim, ó espelho do efémero!
Trago-te em mim, ó espelho do efémero!
Sinto que és na vida o meu fogo eterno
E, por isso, danço contigo nos fios do instante,
Como pássaro oblíquo em voo rasante...
*
Quando te desafio, abres-me a oferta,
Quando te desafio, abres-me a oferta,
Que é cristal de lucidez que à vida encanta,
Como a claridade que à floresta desperta!
*
Mas, se te toco, profundo, em silêncio,
Mas, se te toco, profundo, em silêncio,
No olhar trágico do clarão da tua origem!
Levas-me a vaguear pelo teu labirinto imenso...
E é aí, ao desvelar-te, que sou riso e vertigem,
E tu, no ápice, o voo leve que me levanta.
Véu de Maya


