ENIGMA DO DESEJO_SALVADOR DALÍ
[F. Schubert.Serenade-4.22-barra de vídeo]
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Sei que me um dia me vou dissolver no nada,
E que contra tal destino inelutável será a vitória,
Mas quero ainda, sob este véu, erguer sonhos com glória
De que o Mundo será um dia por que não livre, até morada?
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Quero transitar pelas cordas do abismo,
E dançar nas vertigens do sublime,
Sem me aprofundar no labirinto em que me dirijo,
Mas de que o jogo alto a cada instante me redime,
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Quero sentir ainda a leveza das borboletas,
Cuja alegria faz a felicidade toda num só dia,
E sorrir dos fogos de artifício a abrir-se em piruetas,
Como as crianças de carrossel a tornear em fantasia!
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E errar assim, meio pássaro, meio vertigem,
Neste mundo incerto e tão enigmático até na origem...
Absoluto de ser luta no nada, e no tudo, angústia do nada
Até ser barco e rio e acima de tudo morada!...
Véu de Maya





















