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Luís Lourenço


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*Olhaste musa para as estrelas
com olhinhos de criança a brilhar
e jogaste às entrelinhas com elas
nos seus carrosséis a girar;
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jogaste toda a ternura
nos seus cantos de embalar
que agora vives no mar alto
sem medo de naufragar;
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brincaste sol com as crianças
na praia às conchinhas do mar
que agora essas conchinhas
são mil sorrisos a brilhar;
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Hoje és poesia dessas ilusões ternas
aspergidas no voo das borboletas
e baloiças na felicidade delas
perfumes num cesto de violetas!...
Luís Lourenço
É o sopro e a distância
que estão para a chama do ser
como o acto está para a transbordância;
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a força do ser e a amizade
que na textura do mundo são tão antigas
como a própria eternidade;
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o cárcer da dor e da tristeza
que se espalham pelo mundo
quando nos seres vagueia a fraqueza;
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o poder da alegria e da felicidade
cujos eflúvios no mundo jamais se esgotam
mesmo quando deles só resta a saudade;
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o desejo do mais e a bela espontaneidade
que aspiram em pleno ao triunfo no ser
como as fontes da própria liberdade;
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o medo e as pressões glaciares
que fecham de súbito a existência
no escuro dos pesadelos polares;
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o movimento e a expansão
que erram caóticos na cósmica energia
e em cuja órbita vagueia a dor e a alegria;
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É sopro e distância, ser e transbordância
desejo de querer mais até à última distância;
energia e expansão,
vontade e libertação
saudade, nostalgia e realização;
Movimento e espontaneidade
ponte para a eternidade
e no caminho que é a aventura
a poesia como canto à imortalidade!...
Luís Lourenço

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a tua paixão é volúpia
e na minha vida é prazer
adoro misturar os frutos
até a sua polpa expremer;
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os véus do teu erotismo
são rouxinóis sensuais
adoro brincar com os véus
e brindar aos acordes finais...
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Luís Lourenço


Marionetas inquietas e até invisíveis
no caos do Universo estranho e secreto.
Baile trágico de máscaras sublimes
e comediantes que dançam à cabra cega!
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Queremos ser a liberdade no Mundo,
E em cada encosta terrestre
o sonho de uma morada afirmada,
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Mas sobra ainda quanta escravidão?
Que congela na aranha que nos aperta
e no deserto que avança e que nos cerca!
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Dados inocentes jogados
sobre o cenário da vida
procuram plantações férteis,
Mas rolam farsantes
nesta aventura incerta! ...
Luís Lourenço

É a reflexão e o preço do conhecimento
que quebram na estupidez a ignorância
e a ausência do pensamento;
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a acção e a luta contra a doença
que as luzes da razão proporcionam à ciência
para elevar a saúde à sua plena existência;
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o desejo sem fim e o sonho da perfeição
que irradiam do núcleo do mito para o fazer
florescer e brilhar até à grande ilusão;
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a visão sensível e o cósmico radar
que se libertam entre o pensamento e a realidade
até chegar ao cume de uma incontornável verdade;
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o olhar inquieto e o impulso da criação
que imperam como pássaros longínquos
no cume do ser e da veneração;
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a nobre causa e a terrível missão
que quebram na vontade as máscaras da ilusão
até bater nela ardente e feliz o coração;
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a chama do fogo e a roda da invenção
que gravam na cultura da memória
os tesouros e os desvarios da civilização;
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É vida e instinto, celebração e vontade,
poderes telúricos nos cumes da verdade,
e só fantasias dos caprichos da liberdade
às voltas no carrocel da vaidade
e para o Mundo mais dor do que felicidade;
É a pergunta subtil e certeira: ser ou não ser,
a vertigem do homem face à realidade
que o engloba e interpela
sem jamais poder sair dela!...
Luís Lourenço



Nós só sentimos agrado para com os semelhantes-ou seja, pelas imagens de nós próprios-quando sentimos comprazimento connosco. E quanto mais estamos contentes connosco, mais detestamos o que nos é estranho: a aversão pelo que nos é estranho está na proporção da estima que temos por nós. É em consequência dessa aversão que nós destruímos tudo o que é estranho, ao qual assim mostramos o nosso distanciamento.
Mas o menosprezo por nós próprios pode levar-nos a uma compaixão geral para com a humanidade e pode ser utilizado, intencionalmente, para uma aproximação com os demais.
Temos necessidade do próximo para nos esquecermos de nós mesmos: o que leva à sociabilidade com muita gente.
Somos dados a supor que também os outros têm desgosto com o que são; quando isto se verifica, então recebemos uma grande alegria: afinal estamos na mesma situação.
E tal como nos vemos forçados a suportar-nos, apesar do desgosto que temos com aquilo que somos, assim nos habituamos a suportar os nossos semelhantes.
Assim, nós deixamos de desprezar os outros; a aversão para com eles diminui, e dá-se a reaproximação.
Eis porque, em virtude da doutrina do pecado e da condenação universal, o homem se aproxima de si mesmo. E até aqueles que detêm efecivamente o poder são de considerar, agora como dantes, sob este mesmo aspecto: é que "no fundo, são uns pobres homens"
Nietzsche, Vontade de Poder II
Este quadro é considerado a primeira obra "surrealista" do pintor 

Mulher, és lírio do campo;
és ave linda, no céu!
Deus te criou, inspirado,
para o mais lindo papel:
teus perfumes, tantas cores
tu`alma doce, teu véu
de amores tantos, tamanhos,
das paixões, um carrocel;
És, mulher, tanta beleza,
és quem traz as novas vidas;
tu és, mulher, natureza,
em emocões coloridas.
És ombro amigo e sincero,
és, do meu leito, o dossel
o fruto que eu amo e quero
és minh`agua, meu farnel
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Mas és, mulher, muito mais:
espírito sublimado,
coração que se desdobra,
a mãe que ama e não cobra,
a irmã que está do meu lado;
do porto seguro, és cais
alfama da marujada,
a lua, na madrugada.
És o bem que Deus criou:
o ventre da natureza ,
a sintaxe da beleza,
a semântica da dor.
Porém, O Pai te outorgou
maturidade e ternura:
és a dádiva mais pura
que Deus ao mundo legou.
POEMA DE JOÃO DA SILVA
em http://wwwrenatacordeiro.blogspot.com/




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"Paixões afirmativas: a altivez, a alegria, a saúde, o amor sexual, a hostilidade e a luta, o respeito, os belos gestos, as boas maneiras, a vontade forte, a disciplina intelectual, a vontade de poder, o reconhecimento para com a terra e a Vida, tudo o que é rico e ofertante, tudo o que faz jus à vida -o que a doura, eterniza e diviniza-todo o poder das virtudes que nos transfiguram; tudo o que aprova, afirma, diz sim em palavras e em actos"
Nietzsche, Vontade de Poder II


"O primeiro signo de que o animal se transformou em humano é quando os seus actos já não se confinam ao bem-estar momentâneo mas elevam-se a coisas duráveis, por conseguinte, o homem procura a utilidade, a apropriação com uma finalidade:é a primeira eclosão do livre governo da razão .Um nível superior é atingido quando age de acordo com o princípio da honra; graças a ele disciplina-se e submete-se aos sentimentos comuns, o que o eleva muito acima da fase em que a utilidade, entendida apenas pessoalmente, era o seu único padrão; ele honra e quer ser honrado, isto é, ele concebe o útil conforme a sua opinião acerca do outro e a opinião do outro acerca dele.Finalmente, age no nível mais elevado da moralidade até aos nossos dias, de acordo com a sua própria medida das coisas e dos homens; quer para ele e para os outros o que é honorável, o que é útil; tornou-se legislador de opiniões, segundo a concepção sempre cada vez mais desenvolvida do útil e do honorável. A ciência torna-o capaz de preferir o mais útil, isto é, a utilidade geral duradoira à utilidade pessoal, a preferência respeitosa de um valor geral duradouro ao do momento: vive e age como indivíduo colectivo.
Nietzsche, Humano, Demasiado Humano, I
