domingo, 29 de setembro de 2013

Ah, vida! inocente nos teus braços.




*****
Ah, poeta! esses teus rasgos na ousadia de mim
Que em pétalas de versos andam pelos meus altares de cetim
Que aromas espalham do meu coração, sendo barcos a navegar,
Longe dos faróis com que os ilumino, altiva, no meu mar?
*
Ah, vida! estes meus lances são ventos de paixão e amor e laços,
Até onde me levas com alquimias incríveis por todos os lados,
Quando, ao entranhar-me no anel dos teus riscos e abraços,
Te tornas tão insondável e me entrelaças, inocente nos teus braços!
*
Ah, poeta! e porque te banhas em mim, nesse rasgo de bruma pura,
Que é de aventura criativa e solitária, mas sublime e dura?
Se nesses teus voos estou já eu, em véus de maya, enrolada a ti, tão perto,
Que não posso iludir-te mais nos enigmas do humano e do incerto!
*
Ah, vida!-mas, se és anel de todas as artes e liberdades,
E me envolves tão profunda nos teus laços,
Com o orgulho das superações e o desencanto dos fracassos,
Tal como num espelho de metáforas em utopias e vontades.
*
Que mais poderia o poeta, ao rasgar-te em mim,
 Senão sentir, para aquém da tua leveza efémera,
A tua fonte inefável, donde jorra um devir caótico, sem fim!...

Véu de Maya

ps-ligue a música do Francis Goya, enquanto escuta o poema, Obrigado pelo carinho da presença.